A emigração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos atingiu proporções tão grandes que virou notícia no The New York Times. O jornal americano aponta um número recorde de emigrantes que saem do país ajudados por "grupos organizados de contrabandistas que oferecem pacotes baratos". Atualmente, conforme dados do Departamento de Segurança Interna dos EUA, são 23.814 os brasileiros detidos por imigração ilegal naquele país.
Grande parte destas gangues possui agências de viagem como fachada, segundo informam autoridades americanas, tendo cidades como Governador Valadares, em Minas Gerais, um dos redutos mais procurados para a permanência destas empresas, no país, como informa o jornal.
O diário nova-iorquino destaca ainda que, como o acesso direto aos Estados Unidos está mais difícil, a opção destes emigrantes é tentar chegar ao seu destino através do México, país que não exige mais visto de entrada para os brasileiros.
"Ao todo, mais de 12 mil brasileiros foram detidos tentando cruzar a fronteira dos Estados Unidos com o México neste ano, passando o total de 2004 e colocando os brasileiros no topo da categoria conhecida como 'não-mexicanos' nos levantamentos das autoridades americanas", diz NYT. O resultado é que, sofrendo pressão dos Estados Unidos, "o México agora estuda restaurar as formalidades de concessão de vistos para os brasileiros".
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a emigração ilegal brasileiros para o exterior aprovou, na terça-feira um roteiro de atividades e 16 requerimentos de convocação de autoridades brasileiras e norte-americanas para tratar do assunto. O objetivo é investigar os delitos provocados pelos agenciadores de imigrantes, os chamados "coiotes", que atuam no Brasil, na fronteira México-EUA, na Europa e no Japão, o resgate dos direitos de cidadania dos brasileiros residentes no exterior e a modernização da legislação e dos serviços consulares brasileiros.
A esses foi acrescentada, por sugestão do presidente da CPI, senador Hélio Costa (PMDB-MG), a necessidade de ser firmado um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos para se buscar uma solução definitiva para o problema da imigração. Os deputados vão analisar ainda o reconhecimento dos direitos dos estrangeiros que moram no Brasil e vivem em condições subumanas, como o caso dos bolivianos em São Paulo.
Também serão feitas audiências públicas em várias cidades, depoimentos e visitas da comissão a países onde a questão da imigração é considerada crítica, a exemplo do México, Estados Unidos, Japão e Paraguai.
A primeira audiência pública aprovada pela CPI será em agosto, na cidade de Governador Valadares, de onde parte a maioria dos emigrantes não só para os Estados Unidos como também para Portugal. Inicialmente, outras duas audiências estão acertadas, em Criciúma (SC) e em Goiânia (GO). João Magno (PT-MG), relator da comissão, ressalta a importância do encontro e da atenção que deve ser dada a esses emigrantes ilegais:
- A situação dos imigrantes vem se agravando cada vez mais, especialmente nos Estados Unidos, onde aqueles que são presos por estarem ilegais enfrentam violência e privações. Mesmo aqueles sem documentos vivem sob o medo de serem presos, sem o amparo adequado por parte dos consulados.