Em um recuo estratégico, os EUA decidiram não apresentar uma resolução criticando os abusos contra os direitos humanos na China durante a assembléia anual da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, afirmou nesta sexta-feira o Departamento de Estado. O porta-voz Richard Boucher atribuiu à China "alguns progressos limitados, mas significativos", na proteção dos direitos humanos, incluindo a libertação de certo número de prisioneiros políticos. A decisão ocorre duas semanas depois de o relatório anual do Departamento de Estado sobre direitos humanos ter denunciado contínuos abusos na China. Entre os abusos, o relatório citou execuções extrajudiciais, tortura e maus tratos de prisioneiros, confissões forçadas, detenções e prisões arbitrárias, atraso na comunicação de detenções e julgamentos sem o adequado direito a defesa. Ao mesmo tempo, o informe creditou ao governo chinês alguns passos positivos, incluindo a libertação de certo número de proeminentes dissidentes e a permissão para que importantes representantes do Dalai Lama visitem o país. Dias após a divulgação do relatório, a China deu uma áspera resposta ao informe, dizendo que a crítica de Washington visava minar a estabilidade do país e promover a divisão de seu território. O escritório em Pequim do Conselho Estatal de Informação considerou o informe uma coleção amadorística de distorções e rumores e disse que ele foi forjado por "forças anti-China que não querem admitir a existência de um Estado cada vez mais saudável e desenvolvido". Os EUA habitualmente apresentam uma resolução sobre os direitos humanos na China na reunião anual de seis semanas, como a que se realiza atualmente em Genebra. Devido às gestões diplomáticas da China, tal resolução nunca foi aprovada em Genebra.
EUA recuam estrategicamente em censura na China
Sexta, 11 de Abril de 2003 às 14:50, por: CdB