EUA reconhecem legitimidade de rebeldes líbiosLegenda:EUA reconhecem rebeldes líbios e visam liberação de recursos (reuters_tickers)
Por Andrew Quinn e Tulay Karadeniz
ISTAMBUL (Reuters) - O Conselho Nacional de Transição (CNT), o braço político dos rebeldes líbios, foi reconhecido como um governo legítimo pelos Estados Unidos e outras potências mundiais nesta sexta-feira, num importante impulso em sua campanha para derrubar Muammar Gaddafi do poder.
Nações ocidentais também disseram que planejam aumentar a pressão militar sobre as forças de Gaddafi para forçá-lo a deixar o governo após 41 anos como líder do país do norte da África.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que Washington vai reconhecer formalmente o conselho, sediado em Benghazi, enquanto não for possível estabelecer um governo interino plenamente representativo.
A medida é vista como fundamental para a liberação de bilhões de dólares em bens líbios congelados.
"Hoje (sexta-feira), o CNT ofereceu garantias importantes, incluindo a promessa de empreender um processo de reforma democrática que seja geográfica e politicamente inclusivo", disse Hillary em declarações previamente redigidas.
"Até que uma autoridade interina tome posse, os EUA vão reconhecer o CNT como a autoridade governante legítima da Líbia. Vamos tratar com eles nessa base", acrescentou.
O anúncio de Hillary foi feito no momento em que o Grupo de Contato da Líbia, reunido em Istambul, na Turquia, reconheceu formalmente a oposição como representante da população líbia, formalizando seu status diplomático de governo sucessor ao líder hostilizado Muammar Gaddafi.
Composto por mais de 30 governos e organizações internacionais e regionais, o grupo de contato também autorizou o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Abdul Elah Al-Khatib, a apresentar termos para Gaddafi deixar o poder, em um pacote político que vai incluir um cessar-fogo para encerrar os combates na guerra civil.
GADDAFI CONTINUA DESAFIADOR
O reconhecimento acontece num momento em que circulam reportagens afirmando que Gaddafi teria enviado emissários a vários países para negociar um fim político para o confronto, apesar de o líder continuar desafiador em seu discurso.
Em um pronunciamento para milhares de seguidores em uma manifestação nas ruas, Gaddafi rejeitou o reconhecimento internacional aos rebeldes.
"Esmaguem esses reconhecimentos, esmaguem-nos debaixo de seus pés", disse ele à multidão. "Eles são sem valor."
Gaddafi acrescentou que tem o apoio de milhões de líbios que estão dispostos a se tornar mártires.
Em sua declaração de apoio aos rebeldes, Hillary disse que qualquer acordo a ser fechado "terá que envolver a saída de Gaddafi" do poder e o fim da violência.
"A população da Líbia está cada vez mais olhando para além de Gaddafi. Ela sabe, como todos nós sabemos, que não é mais questão de se Gaddafi vai deixar o poder, mas de quando", disse ela.
Autoridades norte-americanas disseram que a decisão de dar o reconhecimento diplomático formal ao CNT assinala um passo importante em direção ao desbloqueio de mais de 34 bilhões de dólares em ativos líbios nos Estados Unidos, mas avisaram que ainda pode levar tempo para que o dinheiro esteja disponível.
O presidente dos EUA, Barack Obama, assinou em 25 de fevereiro uma ordem executiva congelando os bens de Gaddafi, seus familiares e altos funcionários líbios, do governo líbio, do banco central e dos fundos soberanos do país.
Autoridades norte-americanas se comprometeram a encontrar maneiras de liberar parte do dinheiro para o CNT, que, ao mesmo tempo em que assume mais responsabilidades de governo, está ficando sem dinheiro para pagar salários e serviços básicos.
As discussões com o Congresso sobre os mecanismos para a liberação do dinheiro esbarram em questões legais complicadas, algumas das quais podem ser eliminadas pelo reconhecimento do CNT como governo legítimo da Líbia.
Reuters