Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

EUA reafirmam que não vão desistir de ações militares no Afeganistão

Quinta, 11 de Dezembro de 2003 às 08:53, por: CdB

Os Estados Unidos deixaram claro que não desistirão de suas ações militares no Afeganistão, apesar da morte de civis e das críticas abertas da ONU, do Governo de Cabul e das administrações locais do país.

Seis crianças e dois adultos morreram na sexta-feira passada e outros nove menores e um jovem no sábado, vítimas de ataques dos Estados Unidos no leste do Afeganistão, o primeiro contra um suposto depósito de armas de um "senhor da guerra" rebelde e o segundo contra um "conhecido terrorista" que aparentemente não se encontrava no local.

- Se os não combatentes estão em locais onde há milhares de armas e munição, além de morteiros e granadas, em acampamentos que sabemos bem que são utilizados por terroristas, não somos totalmente responsáveis pelas conseqüências - afirmou o tenente coronel Bryan Hilferty, porta-voz das tropas americanas no Afeganistão.

Depois do ataque de sexta-feira, que os EUA não tinham comentado até esta quarta, as tropas americanas não permitiram que os jornalistas tivessem acesso ao local para confirmar se era mesmo um paiol rebelde.

Segundo Hilferty, no lugar foram encontrados os corpos de seis crianças e de dois adultos sob os escombros de um muro, ao passo que ficou comprovado que o chefe guerrilheiro Mula Jilani, que supostamente se encontrava no recinto, na verdade, não estava no local.

No outro ataque, depois que porta-vozes dos Estados Unidos informaram no domingo que um de seus aviões A-10 tinha matado no sábado nove crianças e um "conhecido terrorista", os habitantes do povoado afetado negaram que o jovem morto tivesse ligações com o terrorismo.

O próprio embaixador americano em Cabul teve que reconhecer mais tarde que não tinha confirmações da identidade do morto, ao passo que os militares dos Estados Unidos asseguraram que estão investigando os fatos, junto com outra comissão do Governo de Cabul.

- Ficaremos muito satisfeitos caso se rendam. Se não o fizerem, ficaremos muito satisfeitos em matá-los - disse, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld , em referência aos rebeldes que resistem a suas tropas no Afeganistão e no Iraque.

Desprezando as críticas da ONU, de outros países e do próprio Governo afegão, Rumsfeld disse: "Não entendem o fato de que estamos em guerra".

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, criticou as ações dos EUA, pelas quais se mostrou "profundamente triste". Seu porta -voz, Fred Eckhard, disse em Nova York que "a luta contra o terrorismo não pode ser ganha às custas de vidas inocentes".

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, cujo regime é apoiado pelos EUA, também se mostrou "perturbado" com esses massacres de civis, de modo que pediu aos EUA que "no futuro coordenem melhor suas operações com o Governo afegão para assegurar que incidentes como esse não não voltem a acontecer".

Mais radical se mostrou, em declarações à EFE por telefone, de Gardez, na província de Paktia, na qual aconteceu um dos incidentes, um funcionário local, que disse que "a indignação é geral" com os americanos na região.

- Muitos acham que as mortes destas crianças não são casuais, mas um castigo premeditado em uma área onde os talibãs tiveram um grande apoio - disse.

Para ele, que pediu para não ser identificado, a informação que os americanos usam em suas operações "muitas vezes é incompleta e tendenciosa, procedente de pessoas que não são de confiança".

Em meio à polêmica, prossegue no leste e no sul do Afeganistão a operação Avalanche, a maior das empreendidas pelos EUA nos dois anos em que suas tropas estão no Afeganistão.

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