Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

EUA questionam autoria de atentado pela Al-Qaeda

Sexta, 12 de Março de 2004 às 17:10, por: CdB

Funcionários do primeiro escalão do governo americano questionam a autenticidade da reivindicação dos atentados em Madri, Espanha, atribuída à rede Al-Qaeda, e avaliam que é muito cedo para determinar se os ataques foram cometidos pelo movimento islamita, de Osama bin Laden, ou pela organização separatista basca ETA.

"No momento atual, a responsabilidade (dos atentados) não está clara", disse um deles, especialista na luta antiterrorista, que não quis se identificar. "Acredito que se deve considerar com cautela a reivindicação por parte destas Brigadas Abu Hafs al-Masri", acrescentou. Um comunicado atribuído às Brigadas Abu Hafs al-Masri/Al-Qaeda reivindicou ontem a autoria dos atentados cometidos em Madri, nos quais 199 pessoas morreram, de acordo com o jornal Al-Qods al-Arabi, que recebeu o texto datado de 11 de março.

O alto funcionário americano destacou que o mesmo grupo já tinha assumido exaustivamente vários ataques, incluindo o blecaute (acidental) da costa leste dos Estados Unidos no último verão (hemisfério norte). "Eles se apresentam como a voz da Al-Qaeda, mas não são. Deve-se considerar isso com ceticismo. Agora, a questão de quem é o responsável (pelos ataques em série de Madri) continua em aberto", frisou.

De acordo com este especialista em antiterrorismo, não é comum o ETA desmentir qualquer responsabilidade em um atentado, como fez hoje. "A organização ETA não tem nenhuma responsabilidade nos atentados de quinta-feira", afirmou uma voz anônima, que dizia falar em nome do ETA ao jornal separatista basco "Gara", um habitual canal de comunicação da organização, assim como ao canal de televisão pública basca ETB.

Este foi o primeiro desmentido formulado pelo grupo armado em toda sua história, ao qual são atribuídas cerca de 800 mortes em 36 anos de campanha terrorista. Em contrapartida, acrescentou, outros aspectos lembram os métodos da ETA. "Já utilizaram explosivos pouco sofisticados, como pacotes ou bolsas-bomba", lembrou, ressaltando que "já atacaram trens e também detonaram algumas bombas perto de outras".

"Eles têm o conhecimento e os meios para fabricar artefatos explosivos rudimentares, mas um atentado desta magnitude, que provocou tantos mortos, seria uma evolução radical em relação aos seus atentados precedentes", ponderou.

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