Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

EUA querem resolução da ONU contra a China

Segunda, 22 de Março de 2004 às 17:42, por: CdB

Os Estados Unidos anunciaram hoje que apresentarão uma resolução à Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para condenar a China pelos "retrocessos" registrados no respeito aos direitos fundamentais dos indivíduos.

"Durante o último ano, vimos um retrocesso e vimos casos e assuntos específicos que seguem aparecendo e que continuam nos incomodando", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.

Os EUA apresentarão o projeto de resolução durante a reunião da Comissão em Genebra, que começou há uma semana e terminará em 23 de abril. Boucher disse que a delegação norte-americana já discutiu a resolução com a União Européia e outros governos, mas não quis explicar se tinha conseguido o apoio de outros países.

Os EUA decidiram promover a resolução na Comissão, apesar das advertências de Pequim que fazê-lo pioraria as relações entre os dois países. A condenação por parte deste órgão não implica em punições, mas supõe uma denúncia pública das práticas do governo afetado.

O funcionário citou especificamente como prova deste "retrocesso" a detenção de ativistas em prol da democracia e contra a Aids, de "trabalhadores que protestavam", de advogados de defesa, de padres e de membros do Falun Gong.

Além disso, acrescentou que o Governo restringiu as práticas religiosas dos budistas do Tibete e de membros de igrejas não oficiais. "A detenção do bispo católico Wei Jingyi é o último exemplo da detenção de indivíduos por expressarem pacificamente suas idéias religiosas e políticas", afirmou Boucher.

Além disso, o porta-voz do Departamento de Estado apontou como outra violação dos direitos humanos o julgamento de um editor do jornal Nanfang Dushi Bao, que hoje ia ser sentenciado por suposta corrupção. O jornal revelou abusos de direitos humanos realizados pelas autoridades e criticou o Governo por sua atuação em assuntos sociais, como a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars).

Na última sexta-feira, outros dois editores do jornal foram condenados a 11 e 12 anos de prisão por corrupção.

Tags:
Edições digital e impressa