O Iraque precisa ter até 95% da sua dívida externa perdoada para que a economia do país não seja prejudicada. A informação foi dada hoje pela assessora de Segurança Nacional, Condoleezza Rice.
Ela citou dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) que mostram que entre 67 e 95 por cento da dívida soberana deveria ser perdoada para que o país alcance a estabilidade econômica. "As pessoas precisam entender que o Iraque não será capaz de se recuperar se tiver de pagar essa dívida esmagadora", disse Rice a jornalistas.
Antes de invadir o Iraque, em março de 2003, a Casa Branca dizia que Bagdá poderia financiar a sua própria reconstrução por meio dos dividendos do petróleo. O país tem a segunda maior reserva mundial do combustível, atrás apenas da Arábia Saudita. Mas os iraquianos não conseguem explorar adequadamente essa riqueza por causa da violência que os atinge desde o início da ocupação norte-americana.
É a primeira vez que os EUA se referem publicamente ao estudo do FMI sobre a dívida iraquiana, que passou semanas sendo discutido pelos membros do Clube de Paris, que reúne países credores. Na entrevista, Rice reconheceu que dificilmente o Iraque conseguirá o perdão de uma parcela tão significativa da sua dívida. A França já anunciou que vai deixar de lado no máximo 50 por cento do que Bagdá deve.
Algumas fontes oficiais dos EUA dizem reservadamente que o ideal seria que o Iraque eliminasse entre 85% e 95% da sua dívida. Ao defender que pelo menos metade da dívida seja mantida, a França disse que o Iraque pode negociá-la com a ajuda do petróleo. As autoridades norte-americanas dizem que o Iraque é o país mais endividado do mundo em termos per capita. No total, as obrigações do país com os credores chegam a 120 bilhões de dólares.