O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que "este é o momento de mostrar as cartas e dizer ao mundo qual é a posição em relação a Saddam Hussein", referindo-se à votação de uma segunda resolução no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Mas o presidente russo, Vladimir Putin, teria dito em uma conversa telefônica com Bush que o Kremlin não vai apoiar uma ação militar contra Saddam Hussein. Os desdobramentos aconteceram na véspera da apresentação do relatório do chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, que pode ser decisivo para convencer os países-membros contra ou a favor de uma nova resolução. O correspondente da BBC em Moscou Nikolai Gorshkov afirmou que os russos vêm endurecendo a sua posição nos últimos dias, com diversos altos funcionários afirmando que vão se opor à intervenção militar de qualquer forma. Moral Em uma entrevista coletiva na Casa Branca, Bush acusou o governo iraquiano de desafiar o mundo "de maneira sistemática e deliberada". Para ele, o Iraque emprega uma "charada deliberada" e, ao mesmo tempo em que destrói algumas armas, esconde outras e produz um arsenal ainda maior. Mas a Rússia tem poder de veto no Conselho de Segurança e parece não estar convencida da necessidade de uma nova resolução. Nikolai Gorshkov diz que, por mais que o governo de Putin queira evitar confrontos com os Estados Unidos, ele tem mais a ganhar defendendo a bandeira da moral. Segundo o correspondente, a cúpula do governo russo também teme que os americanos abram um precedente perigoso ao ter o objetivo aparente de mudar o regime no Iraque, enquanto a resolução da ONU pede apenas o desarmamento. Um funcionário do governo americano, de acordo com a agência de notícias Reuters, afirmou que a conversa entre os dois presidentes "girou em torno do Iraque e o caminho diplomático tomado pela ONU, e ambos prometeram continuar em contato". Enquanto isso, parlamentares russos elogiaram a aprovação no Senado americano de um acordo de desarmamento estratégico, mas advertiram os americanos que o pacto corre risco se os Estados Unidos lançarem uma ofensiva contra o Iraque. "Pode haver complicações se os americanos iniciarem uma operação militar contra o Iraque", afirmou Andrei Nikolayev, presidente da câmara baixa do Parlamento russo, que ainda precisa aprovar o acordo. "A determinação dos deputados certamente dependerá dos desdobramentos na situação do Iraque", afirmou Dmitry Rogozin, presidente do comitê de assuntos internacionais do Parlamento.
EUA quer resolução mas Rússia é contra guerra
Sexta, 07 de Março de 2003 às 05:39, por: CdB