Representantes da oposição a Saddam Hussein e líderes da coalizão anglo-americana reuniram-se pela primeira vez, nesta terça-feira, para discutir o futuro do Iraque. O encontro terminou com promessas dos Estados Unidos de que não tentarão governar o país. Enquanto a reunião transcorria, milhares de muçulmanos xiitas de Nasiriya, cujos líderes boicotaram a conferência, realizaram uma manifestação na cidade. A conferência aconteceu na base aérea de Tallil, perto do sítio arqueológico de Ur, também no sul do Iraque. Os convites para a reunião em Nasiriya foram emitidos pelo general Tommy Franks, o chefe do Comando Central dos Estados Unidos. O general reformado Jay Garner, escolhido pelos Estados Unidos para supervisionar a reconstrução do Iraque, abriu o encontro declarando: "Um Iraque livre e democrático começará hoje (15)". As conversações foram mediadas por autoridades norte-americanas, incluindo Zalmay Khalilzad, o enviado especial do presidente George W. Bush. Khalilzad desempenhou um importante papel no estabelecimento de um governo pós-Talibã no Afeganistão. Washington afirmou que deseja ver uma autoridade interina no Iraque formada o "mais rapidamente possível". O Governo Bush fez uma seleção rigorosa dos convidados à reunião, mas Ahmad Chalabi, um chefe da oposição iraquiana visto no Pentágono como um possível líder do novo governo, anunciou que estava enviando apenas um representante à conferência. Chalabi é impopular entre vários grupos de oposição, que o vêem como uma extensão do governo norte-americano, devido aos seus vínculos estreitos com Washington. Naquele que foi descrito por uma autoridade norte-americana como "o primeiro voto do Iraque livre", os participantes decidiram se reunir novamente dentro de 10 dias, para discutir propostas concretas visando à elaboração de um novo governo. Entre os participantes da reunião estavam representantes da população curda, dos muçulmanos sunitas e xiitas - de dentro e fora do país - e de grupos de exilados. Protestos,/b> Várias lideranças iraquianas disseram que não só boicotariam os encontros, mas também se oporiam aos planos dos Estados Unidos de instalar o general Garner como chefe de uma administração interina. "O Iraque precisa de um governo interino iraquiano", disse Abdul Aziz Hakim, um líder do Supremo Conselho para a Revolução Islâmica no Iraque, um dos principais grupos xiitas. "Qualquer coisa fora disso esmaga os direitos do povo iraquiano e será uma volta à era da colonização", acrescentou. As autoridades norte-americanas disseram esperar que mais iraquianos se juntem às conversações, enquanto o processo avança. "É crucial que o mundo entenda que esse é apenas o primeiro encontro do que, esperamos, será uma série muito maior de reuniões por todo o Iraque", disse um porta-voz do Comando Central, Jim Wilkinson. Uma conferência nacional deve culminar esse processo, com a escolha dos membros de uma administração interina, talvez dentro de algumas semanas, disse uma importante fonte do Governo Bush, que pediu anonimato. Um correspondente observou que a discussão sobre a forma do futuro governo trouxe à tona as profundas divisões existentes entre os iraquianos. "Levará muitos, muitos meses para que um governo seja formado e comece a atuar", disse o jornalista. Zalmay Kahlizad, o enviado da Casa Branca, disse aos participantes, reunidos sob uma imensa tenda, que o governo norte-americano "não tem intenção de governar o Iraque". "Queremos que vocês estabeleçam seu próprio sistema democrático, baseado nas tradições e nos valores iraquianos", concluiu.
EUA prometem que não vão governar o Iraque
Representantes da oposição a Saddam Hussein e líderes da coalizão anglo-americana reuniram-se pela primeira vez, nesta terça-feira, para discutir o futuro do Iraque. (Leia Mais)
Terça, 15 de Abril de 2003 às 14:01, por: CdB