Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira a detenção de 15 pessoas relacionadas à série de atentados cometidos ontem na cidade iraquiana de Kerbala e em Bagdá, que mataram 271 pessoas (de acordo com fontes iraquianas). "Nove dos suspeitos estão em poder da Polícia iraquiana, e os outros seis em poder do Exército americano", disse em entrevista coletiva o porta-voz militar dos Estados Unidos em Bagdá, general Mark Kimmitt.
Kimmitt também responsabilizou a rede terrorista internacional Al-Qaeda pelo massacre, e em particular o militante fundamentalista radical islâmico Abu Musab Al-Zarqawi, um jordaniano que a Casa Branca considera o "embaixador" de Osama Bin Laden no Iraque. Mas, em um comunicado enviado ao jornal árabe internacional Al-Quds al-Arabi a organização terrorista negou hoje qualquer envolvimento nos atentados e acusou os EUA dos mesmos.
O porta-voz militar americano também pediu que as milícias "Al-Sadr", braço armado do xiismo no Iraque, não façam justiça com suas próprias mãos e se unam às novas forças de segurança iraquianas para derrotar o terrorismo. "Devem se incorporar à Polícia para proteger todo o Iraque e não só um grupo político determinado", ressaltou Kimmitt, antes de anunciar que nesta noite o chefe do Governo Provisório, Paul Bremer, dará uma entrevista coletiva para opinar sobre o ocorrido.
Milhões de xiitas, muitos deles que chegaram em peregrinação desde o Irã, se concentraram na cidade de Kerbala ontem para comemorar a festa de "Ashura", a mais importante de seu calendário.
Al-Qaeda culpa EUA
A rede terrorista internacional Al-Qaeda negou hoje qualquer responsabilidade nos atentados de ontem em Bagdá e Kerbala, e acusou os EUA desse massacre de xiitas com intenção de provocar uma guerra civil no Iraque. "As tropas norte-americanas cometeram um massacre brutal contra os inocentes xiitas em Bagdá e Kerbala, mas tentam acusar da mesma os mujahedins (combatentes) da Al-Qaeda", denuncia a nota.
"Esta ação faz parte de um complô americano para criar um conflito entre os muçulmanos no Iraque", acrescenta o documento, de três páginas. "Queremos deixar claro a todos os muçulmanos nossa inocência em semelhantes ações", se afirma no texto.
No comunicado se confirma a presença no Iraque de ativistas da Al-Qaeda, e se pede ao povo iraquiano que declare a "Jihad", ou Guerra Santa, contra as tropas americanas e os iraquianos que colaboram com a ocupação. "Nossos objetivos estão bem claros. Atacamos os cruzados norte-americanos e seus aliados, assim como a colaboracionista polícia iraquiana que é um apêndice dos Estados Unidos e o porrete que os norte-americanos usam contra os mujahedins", se acrescenta.
"Também atacamos os colaboracionistas dos Estados Unidos no Conselho de Governo ou, melhor dito, Conselho de Infiéis, assim como a aqueles que os apóiam, sejam sunitas ou xiitas", se diz no documento, que conclui com uma saudação "aos muçulmanos do mulá Omar, - líder do antigo regime talibã afegão -, do xeque Osama (Bin Laden) e do xeque Ayman Al Zawaheri", número dois da rede.
Os EUA e o Conselho de Governo iraquiano acusaram ontem a Al-Qaeda de estar por trás dos atentados em Bagdá e Kerbala, tese apoiada por alguns líderes xiitas, que também responsabilizaram indiretamente as tropas dos Estados Unidos por não terem adotado suficientes medidas preventivas.