Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

EUA planejam o fim da invasão ao Iraque

Os EUA e a Inglaterra planejam retirar suas tropas do Iraque no primeiro semestre de 2007. A notícia foi estampada na primeira página dos diários britânicos Sunday Telegraph e Sunday Mirror neste domingo, citando fontes militares. O Telegraph publicou que a retirada vai seguir-se à aceitação por ambos os governos de que a presença de tropas estrangeiras no Iraque representa um grande obstáculo para a paz na região. Em nota distribuída horas depois, o Pentágono negou a notícia. (Leia Mais)

Domingo, 05 de Março de 2006 às 07:04, por: CdB

Os EUA e a Inglaterra planejam retirar suas tropas do Iraque no primeiro semestre de 2007. A notícia foi estampada na primeira página dos diários britânicos Sunday Telegraph e Sunday Mirror neste domingo, citando fontes militares. O Telegraph publicou que a retirada vai seguir-se à aceitação por ambos os governos de que a presença de tropas estrangeiras no Iraque representa um grande obstáculo para a paz na região.

"O governo britânico é considerado a força motivadora por trás do plano de retirada, mas todos os 24 membros da coalizão devem aceitar a medida dada a crescente impopularidade internacional da guerra", informou o correspondente do Telegraph na área de Defesa, Sean Rayment.

O Sunday Mirror também publicou a notícia sobre a possível retirada, no prazo de 12 meses. Autoridades norte-americanas e do Iraque têm garantido, em pronunciamentos, que as forças estrangeiras vão deixar o país de maneira gradual assim que as tropas iraquianas forem capazes de garantir a segurança da população de 27 milhões de habitantes. Os EUA já retiraram cerca de 15 mil tropas depois que o Iraque promoveu eleições bem sucedidas em dezembro para o parlamento definitivo do país, pela primeira vez desde a saída de Saddam Hussein em 2003.

A tensão no Iraque cresceu nas últimas duas semanas com a intensificação de confrontos entre os dois principais grupos muçulmanos do país. Há ainda o problema da insurgência que já dura dois anos contra o governo iraquiano apoiado pelos EUA.

Citando fonte militar, o Telegraph publicou que se uma guerra civil acontecer, o plano de retirada pode ser cancelado. A recente violência tem provocado temores de que o país possa cair em uma guerra civil, um cenário que pode complicar gravemente o papel das tropas estrangeiras.

Há atualmente cerca de 135 mil soldados norte-americanos e 8.500 soldados britânicos no Iraque. A força total liderada pelos Estados Unidos é de 160 mil militares. A Itália, que tem o quarto maior contingente no país, já declarou que pretende tirar suas forças este ano. O número de baixas norte-americanas já supera a casa dos 2,2 mil mortos, enquanto entre os ingleses o número de mortos entre os militares é de pouco mais de 100.

Negativa

Militares norte-americanos no Iraque disseram, neste domingo, que as reportagens dizendo que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha pretendem retirar tropas do país no primeiro semestre de 2007 são "completamente falsas". Eles reiteraram que não há um calendário para a saída dos milhares de soldados do Iraque. Um porta-voz do Exército dos EUA no Iraque, porém, voltou a referir-se a comentários anteriores feitos por autoridades norte-americanas e iraquianas de que as tropas estrangeiras serão retiradas gradualmente, quando as forças de segurança locais tiverem condições de garantir a segurança.

- Esta reportagem sobre uma retirada de forças dentro de um período determinado é completamente falsa. Conforme repetimos várias vezes, qualquer retirada será condicionada à capacidade das forças de segurança iraquianas de manter a ordem doméstica em benefício de um governo representativo que respeite os direitos de todos os seus cidadãos. Esta é uma declaração atual e não está ligada a calendários - disse o tenente-coronel Barry Johnson, sobre os artigos dos jornais britânicos Sunday Telegraph e Sunday Mirror, que citaram fontes anônimas do Ministério da Defesa.

Os soldados norte-americanos e britânicos treinaram 230 mil iraquianos para a polícia e para o Exército do país, mas essas forças ainda não conseguem garantir a segurança sozinhas.

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