Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

EUA pedem respeito à Venezuela

Quinta, 22 de Julho de 2004 às 19:25, por: CdB

Um dia depois do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamar o George W. Bush de "imperador do mal", o embaixador da Venezuela em Washington pediu respeito mútuo entre os dois países.

Os Estados Unidos, grandes consumidores do petróleo venezuelano, disseram que essa declaração não se encaixa na retórica de Chávez, que faz críticas repetidas a Bush e pode ser destituído num referendo marcado para 15 de agosto.

"Tudo o que queremos deles os EUA é que compreendam que a Venezuela é um Estado soberano, e que devemos ter respeito mútuo", disse o embaixador Bernardo Alvarez, que exerce a função em Washington há 17 meses e passa grande parte do tempo defendendo Chávez das acusações de que ele seria antidemocrático, teria vínculos com rebeldes colombianos e não estaria empenhado no combate ao narcotráfico.

A amizade de Chávez com o presidente cubano, Fidel Castro, também provoca espanto em Washington, onde o governo Bush aperta o embargo econômico ao regime comunista da ilha.

Alvarez também denuncia constantemente o que diz ser o apoio dos EUA a grupos oposicionistas venezuelanos, alguns dos quais envolvidos na tentativa de golpe de 2002.

Mas o diplomata previu que as relações vão melhorar se Chávez vencer o referendo, como algumas pesquisas recentes indicam. "Estamos olhando para frente e esperamos que, depois do referendo, tenhamos uma chance de ter uma nova visão da relação bilateral", afirmou. "Pedimos ao governo dos EUA que concorde em discordar. Temos muitos interesses comuns e estamos trabalhando nisso. Mas temos diferenças políticas, e algumas delas serão diferenças políticas durante algum tempo".

Mesmo assim, ele não retirou a persistente ameaça de cortar o fornecimento de petróleo aos EUA caso a Venezuela considere que a interferência norte-americana passe dos limites. "Temos de considerar todos os cenários", afirmou.

Bush pediu nesta semana que o referendo seja transparente, e na quarta-feira, Chávez voltou a criticar essa suposta interferência. "Vocês vêem agora como o imperador do mal falou de Washington dando ordens", afirmou o presidente venezuelano.

Analistas dizem que as relações entre os dois países não vão se deteriorar enquanto a Venezuela vender petróleo aos EUA. "O cão que ladra não morde, e a Venezuela continua sendo um fornecedor confiável", disse Larry Birns, do Conselho de Assuntos Hemisféricos, em Washington.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Richard Boucher, disse que as mensagens emitidas pela Venezuela são "contraditórias", em conflito com a política norte-americana de defender a democracia no país sul-americano. "Não somos a favor ou contra indivíduos", disse ele.

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