Os Estados Unidos pediram aos principais políticos xiitas e curdos que superem o impasse no Iraque e formem logo um novo governo, pois o vazio de poder pode alimentar a insurgência, disseram autoridades norte-americanas na segunda-feira.
"Há o risco de ficar tocando violino enquanto Roma queima", disse uma autoridade dos EUA, sob anonimato. O recado foi transmitido aos líderes iraquianos em reuniões e telefonemas do vice-presidente Dick Cheney, da secretária de Estado, Condoleezza Rice, e do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.
As fontes ressaltaram que os EUA não estão decidindo quem deve participar do governo iraquiano, que ainda não foi formalmente anunciado, passados quase três meses das eleições de 30 de janeiro. Mas essas fontes disseram que é necessário que haja um novo governo para solapar o apoio à insurgência.
"A hesitação encoraja os extremistas; uma insurgência não pode existir com algum apoio popular; a melhor forma de reagir é formar um governo rapidamente e não deixar que o perfeito seja inimigo do bom", disse um funcionário.
Os políticos iraquianos adiaram na segunda-feira novamente a nomeação do governo, mas uma importante fonte disse que o gabinete pode ser definido já na terça-feira.
"Continuamos ouvindo que eles estão perto, estão perto, estão perto, mas isso nunca acontece", disse outra fonte norte-americana.
Rice, que levou o recado do governo na sexta-feira em reunião com o vice-presidente iraquiano, Abdel Abdul Mahdi, que é xiita, e por telefone ao líder curdo Massoud Barzani, disse que Washington espera que o processo político iraquiano continue avançando.
"É realmente disso que se trata. É manter o impulso no processo político como uma resposta àqueles que diriam ao povo iraquiano que seu futuro está na violência, não no processo político", disse ela.
A violência dos rebeldes aumentou nas últimas semanas, na mesma proporção que diminuiu o otimismo provocado pelas eleições. No domingo, 22 pessoas morreram na explosão de carros-bomba. Nas últimas seis semanas, 180 iraquianos que trabalhavam em atividades de segurança foram assassinados.
Para tentar acelerar a formação do novo governo, Cheney se reuniu na semana passada com Mahdi em Washington. O subsecretário de Defesa Paul Wolfowitz, que assumirá o comando do Banco Mundial, também participa dessa ofensiva.
"É um esforço coordenado para garantir que o governo iraquiano de transição entenda a seriedade com que vemos a continuação do progresso político", disse uma fonte do Pentágono, sob anonimato.
Rumsfeld transmitiu uma mensagem semelhante ao visitar o Iraque, em 12 de abril, quando pediu que os líderes locais evitem expurgos políticos ou ações que prejudiquem a confiança no governo. Ele também cobrou que a nova Constituição esteja pronta, como previsto, até meados de agosto.