Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

EUA passam a conferir peso específico para a crise europeia

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, discutiu nesta sexta-feira os esforços para obter ajuda para a Grécia com os ministros das Finanças do G7, disse um porta-voz do organismo na noite passada. (Leia Mais)

Sexta, 07 de Maio de 2010 às 11:02, por: CdB

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, discutiu nesta sexta-feira os esforços para obter ajuda para a Grécia com os ministros das Finanças do G7, disse um porta-voz do organismo na noite passada. Os ministros do G7 – Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão – devem realizar uma teleconferência sobre o assunto nas próximas horas. Esta é, na prática, a primeira intervenção direta dos EUA na crise originada no grupo de países conhecido como PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha, na sigla em inglês).

Ainda nesta sexta-feira, a Câmara Baixa do Parlamento da Alemanha aprovou uma lei para liberar a contribuição do país para o pacote de resgate da Grécia. A câmara aprovou a lei com 390 votos a favor, 72 contra e 139 abstenções. O assunto entrou, imediatamente, na pauta da Câmara Alta, o equivalente ao nosso Senado. A lei diz que a Alemanha contribuirá com até 22,4 bilhões de euros para o pacote de três anos de 110 bilhões de euros disponibilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela zona do euro à Grécia.

Tensão extrema

Ao longo dos pregões, em torno do mundo, os investidores pareciam refratários a qualquer notícia positiva, num ambiente de tensão extrema por conta da crise na Europa. As Bolsas de Valores europeias e norte-americanas, sem exceção da brasileira Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), amargam perdas na jornada desta sexta-feira, mesmo após o governo dos EUA ter reportado uma geração de empregos muito acima do esperado. Em Paris, a Bolsa já desabava mais de 5% próximo ao encerramento do pregão.

Países como Holanda, Itália, Alemanha e Espanha também aprovaram leis que autorizam o repasse de recursos à Grécia, no âmbito do pacote de 110 bilhões de euros previsto no acordo entre União Europeia (UE) e o FMI para resgatar a economia grega. Para analistas, ainda prevalecem as dúvidas sobre a capacidade desse pacote de evitar a bancarrota do país meditarrâneo. O Ibovespa, termômetro dos negócios da Bolsa paulista, retrai 2,12%, aos 62.069 pontos no meio da tarde. O giro financeiro era de R$ 2,29 bilhões. Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, perdia 1,84%.

Na Europa, o índice FTSE, da Bolsa de Londres, retrocedia 3,36%; em Frankfurt, o índice Dax caia 2,53%. O dólar comercial era vendido por R$ 1,8620, em um avanço de 0,59%. A taxa de risco-país marcava 250 pontos, número 5,48% acima da pontuação anterior.

Na Ásia, o índice acionário Nikkei de Tóquio chegou a recuar mais de 4% nesta sexta-feira, chegando ao menor patamar em dois meses, antes de reduzir parte das perdas em meio à venda global de ações disparada pela crise de dívida da Europa. Exportadores como a Canon se desvalorizaram enquanto o euro ficou sob pressão. Ações com grande exposição à China, como a fabricante de equipamentos para construção Komatsu, recuaram com papeis em Xangai perdendo terreno.

A Nintendo tombou quase 8% depois que a fabricante de videogames previu um segundo ano consecutivo de lucros menores com a desaceleração de vendas de seu console Wii. Autoridades do mercado acionário norte-americano investigam se operações erradas causaram uma queda súbita nos preços de ações que limaram quase 1 trilhão de dólares em valor de mercado de ações no auge do movimento de vendas na véspera.

– Há uma série de questões em Nova York, incluindo possíveis operações erradas, que adicionaram um nível elevado de desconforto. Houve muita fuga de risco durante os últimos dias e agora estamos vendo algumas coberturas de posições vendidas e buscas por pechinchas. Mas é difícil dizer o que acontecerá até vermos o desempenho de Wall Street – disse Koichi Ogawa, chefe de portfólio na Daiwa SB Investments.

O índice Nikkei de Tóquio fechou em queda de 3,1%, a 10.364 pontos. Na semana reduzida por feriado, o indicador acumulou perda de 6,3%. O Nikkei zerou os ganhos deste ano, que apenas um mês atrás tinham levado o índice para o maior nível em 18 meses. O índice que reúne mercados acionários na região Ásia-Pacífico com exceção do Japão registrava queda de 1,82% às 7h51 (horário de Brasília), a 393 pontos.

A bolsa de Seul fechou em queda de 2,21%, para 1.647 pontos; Xangai teve queda de 1,87%, para 2.688 pontos; Hong Kong apurou perda de 1,06%, para 19.920 pontos; e Taiwan se desvalorizou em 0,16%, para 7.567 pontos. O mercado em Cingapura encerrou em baixa de 0,65%, para 2.821 pontos, e Sydney caiu 2,02%, para 4.480 pontos.

Crise grega

Depois que as bolsas de valores asiáticas fecharam o dia em queda, repercutindo a perda de quase mil pontos do Dow Jones na véspera, analistas compararam a atual realidade  ao caos dos mercados gerado durante a recente crise mundial de crédito.

– A crise de dívida grega está relembrando os investidores do que aconteceu após o colapso do Lehman Brothers. A falência de uma única instituição financeira acabou detonando um efeito em cadeia sobre a economia global – disse Kazuhiro Takahashi, administrador do Daiwa Securities Capital Markets.

Até o meio desta tarde, o euro operava quase estável na Ásia, pouco abaixo de US$ 1,27.

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