Agentes dos Estados Unidos e autoridades do Paquistão estão interrogando um dos principais assessores de Osama bin Laden, disseram fontes de inteligência nesta sexta-feira.
O Paquistão afirma que o militante líbio Abu Faraj Farj l Liby foi o mentor de pelo menos duas tentativas de homicídio contra o presidente Pervez Musharraf, enquanto os EUA o consideram o sucessor de Khalid Sheikh Mohammed - o número 3 da Al Qaeda, detido no Paquistão em março de 2003.
- Sei que os interrogatórios estão em andamento, e estão indo bem - disse o primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, durante visita à Malásia.
Fontes de inteligência dizem que Al Liby é amigo de Mohammed, que teria liderado o planejamento para os ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA.
- Os agentes de inteligência dos EUA foram parte da operação para apanhar Al Liby. Ele está sendo interrogado conjuntamente por uma equipe norte-americana e paquistanesa - afirmou um funcionário de inteligência.
Al Liby foi detido na montanhosa Província da Fronteira Noroeste na última segunda-feira. Junto a ele estavam alguns combatentes, inclusive um militante não-identificado da Al Qaeda pelo qual os EUA pagavam uma recompensa de milhões de dólares, segundo uma importante autoridade paquistanesa.
A relação do militante líbio com Bin Laden remonta à "jihad" (guerra santa) do Afeganistão, que os EUA secretamente apoiaram na década de 1980 contra a ocupação soviética, e ao Sudão, onde o líder da Al Qaeda se instalou no começo da década de 1990.
Aziz, que em julho de 2004 escapou por pouco de um atentado, não quis especular sobre a possibilidade de Al Liby levar a Bin Laden.
- Não temos idéia sobre Bin Laden. Mas certamente o senhor Al Liby era um membro importante da Al Qaeda, estávamos buscando-o há tempos, e os interrogatórios estão progredindo - diss ele.
Mais de 20 suspeitos foram detidos desde a captura de Al Liby, inclusive oito na noite da última quarta-feira em Lahore. Não se sabe quantos são realmente membros da Al Qaeda.
O presidente Musharraf repete constantemente que o Paquistão "quebrou a espinha" da Al Qaeda no Paquistão ao longo do último ano. Musharraf é um aliado incondicional dos EUA na região, e seus esforços para negociar a paz na Caxemira (região disputada com a Índia) o tornaram ainda mais odiado por extremistas.