Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

EUA não querem Lula como mediador na AL

O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que o governo norte-americano não vê o Brasil como um mediador nas relações dos Estados Unidos com outros países da região. Ele foi questionado sobre o assunto por causa do encontro, na quinta-feira, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner. (Leia Mais)

Quarta, 18 de Janeiro de 2006 às 08:53, por: CdB

O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que o governo norte-americano não vê o Brasil como um mediador nas relações dos Estados Unidos com outros países da região. Ele foi questionado sobre o assunto por causa do encontro, na quinta-feira, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner.

- Não. Trabalhamos muito bem com cada um desses governos individualmente - disse McCormack, ao ser questionado se o Brasil poderia ser visto como um mediador dos interesses americanos na região.

Ao mesmo tempo, elogiou o presidente brasileiro.

- O presidente Bush tem uma grande relação com o presidente Lula. Ele tem um grande respeito pelo presidente Lula. E a secretária (de Estado, Condoleezza) Rice tem uma ótima relação de trabalho com o ministro Amorim - disse o porta-voz.

McCormack disse que o governo norte-americano não se importa com o espectro político dos governos da região, desde que eles respeitem o que os norte-americanos consideram as fundações de um governo democrático.

- Essa idéia de que o mundo é dividido entre direita e esquerda não é como vemos. Nós olhamos se eles governam de maneira democrática, se seguem os princípios da democracia, se governam de acordo com a constituição, se promovem a expansão do comércio, se promovem a prosperidade para os cidadãos do país. Estamos prontos a trabalhar com todos os governos do hemisfério, baseados numa agenda positiva - afirmou.

Ele disse que houve uma mudança sensível na região em relação a 20 anos atrás, já que atualmente todos os governos foram eleitos democraticamente. Mas que é preciso ir além. "

- Nossa ênfase agora é dar um passo adiante, trabalhando com os princípios da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão - afirmou.

Como membros do governo Bush têm feito com freqüência cada vez maior nos últimos meses para se referir indiretamente à Venezuela, McCormack disse que "não é só ser eleito democraticamente, é preciso governar de maneira democrática".

A virada à esquerda nos governos da região nos últimos anos foi confirmada pela eleição, no domingo, da candidata socialista Michelle Bachelet. O subsecretário de Estado para Américas, Thomas Shannon, que visitou o Brasil na semana passada, assiste neste fim de semana à posse do presidente da Bolívia, Evo Morales, representando o presidente Bush.

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