O Pentágono não pretende enviar mais tropas norte-americanas ao Afeganistão além dos marines adicionais prometidos nesta semana, disse o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, apesar de ele admitir uma insuficiência no contingente treinado pelas forças afegãs. Em entrevista à rádio pública dos Estados Unidos, Gates disse ter pedido relutantemente ao presidente George W. Bush que aprovasse o envio de 3,2 mil soldados adicionais, anunciado na terça-feira, pois segundo ele está claro que os países europeus não vão ampliar seu contingente no Afeganistão.
- Acho que estava bastante claro que [o reforço] não viria da Otan. E, embora eu estivesse relutante em recomendar ao presidente que acrescentássemos forças adicionais por lá, acho que era importante ampliar os sucessos militares que tivemos em 2007 - disse Gates.
Perguntado sobre o risco de sobrecarregar os militares, que também travam uma guerra no Iraque, Gates disse que o Pentágono agora não pretende enviar mais soldados à frente afegã.
- Certamente não temos planos de enviar mais tropas ao Afeganistão além do que acabamos de anunciar - afirmou.
O contingente adicional de marines enviados para combater o Talebã representa um aumento de mais de 10 por cento na presença militar dos EUA no Afeganistão. Os marines atendem a um pedido dos comandantes da Otan por mais tropas de combate, mas não satisfazem plenamente a necessidade de mais instrutores para treinamento das forças locais, segundo Gates. Antes da entrevista de Gates à rádio NPR, o Los Angeles Times publicou um artigo, na quarta-feira, que revelava as tensões entre os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a respeito da guerra.
Numa rara crítica a operações de aliados, Gates questionou a capacidade da Otan de combater uma insurgência de guerrilheiros no Afeganistão.