Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

EUA não estão convencidos sobre urgência de aquecimento global

Sexta, 13 de Maio de 2005 às 11:56, por: CdB

Os Estados Unidos disseram na sexta-feira que não estão convencidos sobre a necessidade de agir rapidamente a fim de combater as mudanças climáticas, alimentando temores entre os ambientalistas de que uma cúpula convocada para julho a respeito do assunto não trará avanços concretos.

Harlan Watson, negociador chefe do presidente norte-americano, George W. Bush, para as mudanças climáticas, disse à rádio BBC:

- Há um acordo geral de que há muito que já se sabe, mas também de que há muito sobre o que pesquisar.

A declaração aparece menos de dois meses antes da cúpula do G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) em que se dará destaque às mudanças no clima do planeta.

Katherine Pearce, membro do grupo Amigos da Terra, disse que a notícia expunha o conflito intenso travado a portas fechadas atualmente no cenário mundial.

- Todos sabem que, longe dos microfones, os negociadores norte-americanos dizem não estar convencidos sobre a necessidade de agir. Mas o fato de Harlan Watson dizer isso abertamente, hoje, é algo realmente devastador - afirmou à Reuters.

Cientistas advertiram que o mundo pode esquentar em até 2 graus Celsius até o final do século, aumentando as chances de que haja mais secas e enchentes e de que o nível dos oceanos eleve-se, colocando milhões de vidas em perigo.

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, que ocupa a presidência rotativa do G8 neste ano, diz que as mudanças no clima estão acontecendo e que elas são intensificadas por atividades humanas como o uso de veículos automotores e a produção de energia.

Blair deseja que a cúpula do grupo em julho, prevista para acontecer na Escócia, elabore um projeto de plano de ação.

Mas os EUA, que não assinaram o Protocolo de Kyoto (no qual se prevêem cortes na emissão de gases que causam o efeito estufa), recusam-se a concordar com tal postura.
Para piorar o cenário - ao menos do ponto de vista dos ambientalistas -, a energia nuclear voltou a ser tratada como uma opção real, pois seria "limpa" e ofereceria uma solução rápida para o problema.

O pacto de Kyoto é o primeiro plano com força de lei no combate às mudanças climáticas. Ele exige que os países desenvolvidos, entre 2008 e 2012, cortem as emissões de gases do efeito estufa para 5,2% abaixo dos níveis registrados em 1990.

Os norte-americanos são responsáveis por quase um quarto das emissões de gases causadores do efeito estufa do mundo.

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