Os Estados Unidos disseram na sexta-feira que não estão convencidos sobre a necessidade de agir rapidamente a fim de combater as mudanças climáticas, alimentando temores entre os ambientalistas de que uma cúpula convocada para julho a respeito do assunto não trará avanços concretos.
Harlan Watson, negociador chefe do presidente norte-americano, George W. Bush, para as mudanças climáticas, disse à rádio BBC:
- Há um acordo geral de que há muito que já se sabe, mas também de que há muito sobre o que pesquisar.
A declaração aparece menos de dois meses antes da cúpula do G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) em que se dará destaque às mudanças no clima do planeta.
Katherine Pearce, membro do grupo Amigos da Terra, disse que a notícia expunha o conflito intenso travado a portas fechadas atualmente no cenário mundial.
- Todos sabem que, longe dos microfones, os negociadores norte-americanos dizem não estar convencidos sobre a necessidade de agir. Mas o fato de Harlan Watson dizer isso abertamente, hoje, é algo realmente devastador - afirmou à Reuters.
Cientistas advertiram que o mundo pode esquentar em até 2 graus Celsius até o final do século, aumentando as chances de que haja mais secas e enchentes e de que o nível dos oceanos eleve-se, colocando milhões de vidas em perigo.
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, que ocupa a presidência rotativa do G8 neste ano, diz que as mudanças no clima estão acontecendo e que elas são intensificadas por atividades humanas como o uso de veículos automotores e a produção de energia.
Blair deseja que a cúpula do grupo em julho, prevista para acontecer na Escócia, elabore um projeto de plano de ação.
Mas os EUA, que não assinaram o Protocolo de Kyoto (no qual se prevêem cortes na emissão de gases que causam o efeito estufa), recusam-se a concordar com tal postura.
Para piorar o cenário - ao menos do ponto de vista dos ambientalistas -, a energia nuclear voltou a ser tratada como uma opção real, pois seria "limpa" e ofereceria uma solução rápida para o problema.
O pacto de Kyoto é o primeiro plano com força de lei no combate às mudanças climáticas. Ele exige que os países desenvolvidos, entre 2008 e 2012, cortem as emissões de gases do efeito estufa para 5,2% abaixo dos níveis registrados em 1990.
Os norte-americanos são responsáveis por quase um quarto das emissões de gases causadores do efeito estufa do mundo.
EUA não estão convencidos sobre urgência de aquecimento global
Sexta, 13 de Maio de 2005 às 11:56, por: CdB