Os Estados Unidos não fixaram um prazo final para a Coréia do Norte voltar às negociações nucleares e não vão oferecer concessões para trazer o país à mesa, disse nesta segunda-feira o principal negociador norte-americano.
O secretário de Estado assistente para Assuntos do Leste Asiático, Christopher Hill, disse em entrevista que reluta em colocar um prazo para a Coréia do Norte voltar às negociações, mas que opções estão sendo consideradas caso o país não volte.
- Chegará o momento em que teremos que decidir se esta é a opção correta e se teremos que estudar outras opções. Uma opção que não temos é abandonar. Temos que pensar em como resolver este problema. Estou realmente relutante em determinar um prazo final, principalmente um prazo artificial - disse Hill na Embaixada dos EUA em Seul, onde é embaixador há menos de um ano. Foi sua primeira entrevista no novo cargo.
Analistas de segurança disseram que a paciência em Washington está se esgotando. As negociações destinadas a acabar com os programas nucleares da Coréia do Norte e a recente retórica de Pyongyang sobre a transformação do processo em um debate sobre desarmamento nuclear abrangente para toda a península coreana só aumentaram a tensão.
Pyongyang pediu que os EUA se desculpem por terem chamado o país de posto de tirania.
Houve especulação em círculos diplomáticos de que Washington pode ter que oferecer incentivos, como considerar abrir relações diplomáticas com Pyongyang, para conseguir a volta das negociações envolvendo seis países.
- Não vamos fazer concessões com o propósito de trazê-los de volta às negociações - disse ele.
Hill afirmou que a Coréia do Norte, que tem economia anêmica e constante falta de alimentos, tem muitos problemas que não podem ser resolvidos com os programas de armas atômicas.
- É uma vergonha que tanto esforço diplomático seja investido em um país extremamente subdesenvolvido que não está produzindo alimentos para o seu povo, mas que procura a produção de armas extremamente perigosas - disse Hill.
Ele comentou as especulações da mídia de que o Norte exportou urânio hexafluorido, que pode ser usado na fabricação de material de armas atômicas, através de uma rede estabelecida por Abdul Qadeer Khan, pai do programa da bomba atômica do Paquistão. O material foi para a Líbia.
Especialistas em proliferação dizem que se a Coréia do Norte vendeu material nuclear diretamente para a Líbia, pode ter cruzado um ponto importante na cessão de material a um país considerado agressivo. A Líbia congelou seu programa nuclear desde então.
- No caso da Líbia, há algum material, e a origem temos todos os motivos para acreditar que seja a Coréia do Norte e, apesar da mediação, o material terminou na Líbia - disse Hill.
Ele disse que não sabe de outros casos de exportação de material nuclear pela Coréia do Norte, mas acrescentou que é preciso "ver o padrão comportamento".
- Temos um regime na Coréia do Norte que tem problemas em perceber como traçar limites e esteve envolvido em todos os tipos de exportações ilícitas. Acredito que a proliferação seja um motivo para preocupação - disse.
No dia 10 de fevereiro, a Coréia do Norte declarou pela primeira vez que possuía armas nucleares e também disse que estava se retirando das negociações envolvendo as duas Coréias, China, Japão, Rússia e Estados Unidos.
Hill afirmou que se encontrará em breve com seus colegas no processo e disse que a China, maior protetora do Norte, tem uma função importante para o avanço das negociações.
- Os chineses têm um ônus especial porque são os anfitriões - disse.
Um especialista norte-americano em Coréia do Norte que se reuniu com líderes do país reclusivo na semana passada disse que Pyongyang está assumindo uma linha cada vez mais dura em sua posição sobre as ambições nucleares.
Selig Harrison, do Centro de Política Internacional, d