Em que pese o empenho da mídia ocidental em esconder o fato - a de lá, do Oriente Médio, então, nem se fala - o que foi deflagrado e continua a ocorrer no Egito é uma rebelião popular. Não se trata pura e simplesmente de atos de protestos da oposição ou de movimentos sociais e organizações, mas de uma revolução popular.
Os protestos muitas vezes são espontâneos e a dinâmica das manifestações não responde apenas às determinações ou ordens de um comando de oposição. Ela segue um curso decorrente de decisão da imensa maioria do povo egípcio.
É o povo que decidiu por um fim à ditadura e ao regime vigentes há 30 anos, comandados pelo general-presidente, ditador Hosni Mubarak, cuja fortuna pessoal e familiar formada com a corrupção é calculada em US$ 70 bi, a maior parte no exterior.
Tentativas da ditadura para continuar não surtem efeito
As tentativas do regime de dividir a oposição, cooptar setores mais moderados, ou suas medidas demagógicas de aumentos salariais e promessas de redemocratização controlada não têm surtido efeito. Pelo contrário, os protestos e manifestações crescem em todo pais e se transformam em revoltas violentas.
Um exemplo são os graves incidentes ocorridos 3ª e 4ª feira desta semana quando quatro pessoas foram mortas e várias ficaram feridas por tiros disparados em confrontos ocorridos entre forças de segurança e cerca de 3.000 manifestantes em El Jargo, cidade no meio ao deserto no Sul do país.
Ao saberem da morte dos manifestantes, os habitantes, enfurecidos, atearam fogo a sete edifícios, entre eles duas delegacias de polícia, um tribunal e a sede local do Partido Nacional Democrático, o partido de Mubarak. O total de mortos desde o início da rebelião dia 25 de janeiro pp. de acordo com o levantamento da ONU, já passa de 300 e o de feridos, mais de 5 mil.
As ameaças do regime
As ameaças feitas agora pelo chanceler do regime, de um banho de sangue no país a partir de uma intervenção militar, só provam o desespero da elite que se beneficiou com a ditadura de Mubarack durante 30 anos.
Uma nova ditadura militar no Egito levaria o país a uma guerra civil e desestabilizaria todo o Oriente Médio. A ameaça verbalizada pelo chanceler é bravata, por enquanto, porque uma nova ditadura seria intolerável para os Estados Unidos e a Europa, que não dariam apoio a uma aventura militar.
Como as Forças Armadas são mantidas com a ajuda militar de US$ 1,5 bilhão dos Estados Unidos, nada indica que as ameaças do chanceler sejam para valer. Não passam, potanto, de mais uma manobra desesperada do regime, da ditadura moribunda.