Rio de Janeiro, 03 de Agosto de 2026

EUA mudarão projeto de resolução sobre Iraque

Quarta, 14 de Maio de 2003 às 20:21, por: CdB

O embaixador dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas) disse nesta quarta-feira que o país vai preparar uma versão modificada da resolução que apresentou na semana passada, em que sugere o fim das sanções comerciais impostas ao Iraque. John Negroponte disse que a idéia é apresentar a resolução modificada a um grupo de especialistas da ONU nesta quinta-feira. A votação do documento, segundo ele, poderia ocorrer já na semana que vem. "Haverá um texto modificado, que deverá levar em conta muitos dos comentários que temos recebido", disse o embaixador. "Haverá um (novo) esboço, e nós esperamos que em algum momento da semana que vem, ainda não definido, coloquemos a resolução em votação." Alguns países do Conselho de Segurança da ONU vêm manifestando sua oposição à proposta de resolução, que tem o apoio dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Espanha. Papel da ONU Os países do Conselho de Segurança encerraram nesta quarta-feira a primeira rodada de discussões sobre o documento na ONU. Segundo o correspondente da BBC nas Nações Unidas Greg Barrow, os diplomatas levantaram várias questões no tocante ao papel que a ONU deve desempenhar no Iraque pós-guerra. A proposta defendida pelos americanos coloca nas mãos dos Estados Unidos e seus aliados na recente ofensiva contra o Iraque o controle sobre a reconstrução do país. Esses países também teriam um papel de destaque nas decisões sobre o que fazer com o dinheiro obtido com a venda do petróleo iraquiano. A Rússia é um dos países que têm criticado ao esboço de resolução. O embaixador russo na ONU, Sergei Lavrov, deixou clara a relutância do país em aceitar o documento como foi apresentado. "Nós damos as boas-vindas à proposta, sua disposição em respeitar o direito dos iraquianos de controlar seus recursos naturais, sua disposição de analisar detalhes mais a fundo sobre o papel da ONU no Iraque", disse. Dívida A Rússia está também preocupada com a possibilidade de o Iraque não pagar a dívida que tem com os russos e estaria interessada em ver, no documento, alguma garantia de que isso irá ocorrer. O embaixador americano, porém, enfatizou que a resolução deve tratar, primariamente, do fim das sanções. "Isso é para permitir o levantamento de (sanções à venda de) petróleo, não para esclarecer se o Iraque continua ou não responsável pelo pagamento de sua dívida", disse John Negroponte. A França e a Rússia também já disseram que acreditam que, antes de levantar as sanções, o melhor seria que os fiscais de armas da ONU fossem autorizados a retornar ao país para verificar se ele está livre de armas de destruição em massa. No entanto, o embaixador da Grã-Bretanha na ONU, Jeremy Greenstock, disse que existem empecilhos ao retorno dos fiscais. "Como Hans Blix (o chefe dos inspetores da ONU) recentemente reconheceu, a situação ainda não está madura o suficiente para permitir o trabalho tradicional dos inspetores. (.) A situação mudou muito (no Iraque)", disse. O embaixador da Alemanha na ONU disse que seus peritos legais levantaram até 50 questões sobre a proposta de resolução, o que indica que um acordo para que ela seja votada poderia demorar.

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