Soldados norte-americanos dirigiram-se para Nova Orleans nesta sexta-feira com ordens de atirar para matar, a fim de combater gangues de saqueadores e para que equipes de resgate possam ajudar milhares de pessoas presas pelo furacão Katrina.
Enfrentando a crescente ameaça de anarquia após o desastre natural que pode ter matado milhares de pessoas, os militares dos EUA mobilizaram reforços da Guarda Nacional.
Saqueadores armados têm o controle da famosa cidade do jazz desde que o Katrina atingiu a costa do Golfo do México na segunda-feira, mas as gangues foram avisadas para tomar cuidado.
- Esses soldados têm (metralhadoras) M-16 carregadas. Essas tropas sabem como atirar e matar e acredito que farão isso - disse a governadora da Louisiana, Kathleen Blanco.
Pessoas gravemente doentes aventuram-se pelas ruas alagadas em cadeiras de rodas para procurar ajuda, em meio a corpos em decomposição e tiros disparados contra soldados e equipes de resgate.
Autoridades declararam que o total de mortos certamente ficará em centenas e provavelmente em milhares, mas detalhes ainda são difíceis.
- Chame isso de bíblico, chame de apocalíptico, o que quer que você queira", afirmou Robert Lewis, de 46 anos, resgatado após sua casa ser invadida pelas enchentes. Ele foi levado para um abrigo e depois transferido para a cidade de Houston, no Texas.
- Havia corpos boiando em frente à minha porta. Nunca vi nada assim - disse, exausto.
O Pentágono declarou que 4.200 soldados extras da Guarda Nacional serão mobilizados nos próximos três dias e que 3.000 soldados do Exército também poderão ser enviados para combater as gangues armadas que se espalharam por Nova Orleans.
Com esses reforços, quase 50 mil militares estão sendo usados na maior operação de ajuda doméstica e segurança na história dos EUA.
Na noite de quinta-feira, o Senado dos EUA aprovou um pedido de 10,5 bilhões de dólares em ajuda de emergência. Nas próximas semanas, outros bilhões devem ser aprovados pelo Congresso.