Quatro altos oficiais do Exército dos Estados Unidos, incluindo um ex-comandante das forças americanas no Iraque, foram eximidos de qualquer responsabilidade no episódio de torturas a detentos no presídio iraquiano de Abu-Ghraib, disseram funcionários do Departamento da Defesa.
Dos cinco oficiais investigados pelos maus-tratos em Abu-Ghraib, apenas a brigadeiro-geral Janis Karpinski, comandante de uma unidade de Polícia Militar, foi considerada culpada por humilhações sexuais infligidas aos presos. Ela foi afastada do cargo com a recomendação de deixar a corporação, afirmaram diferentes fontes.
Já o tenente-general Ricardo Sanchez, que como comandante principal no Iraque entre junho de 2003 e julho de 2004 autorizou técnicas de interrogatório que, segundo testemunhas, estimulavam a tortura, foi completamente absolvido, acrescentaram os funcionários, que pediram para não ser identificados.
A Casa Branca se negou a comentar o conteúdo do relatório final da investigação, mas uma porta-voz ressaltou que as torturas a detidos não serão toleradas. "Os Estados Unidos não toleram perversidades, quando se trata de prisioneiros. Quando descobrimos, agimos para que os culpados assumam sua responsabilidade e tomamos as medidas para evitar que se repitam no futuro", garantiu a porta-voz presidencial Dana Perino.
Embora não tenha sido divulgado publicamente, o documento é considerado um ponto final dos militares sobre este escândalo que desgastou a reputação das Forças Armadas americanas e provocou múltiplos apelos pela renúncia do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld.
De acordo com as fontes, os outros altos oficiais são o ex-adjunto de Sanchez, general Walter Wojdakowski, acusado de não ter delegado o controle da prisão a guardas mais bem treinados; a general Barbara Fast, ex-chefe de Inteligência em Abu-Ghraib; e o coronel Marc Warren, chefe dos serviços jurídicos do Comando.
Uma das fontes revelou que o Pentágono pretende divulgar o relatório da investigação na próxima semana.