Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

EUA já treinam contra o terror na África

Terça, 11 de Maio de 2004 às 06:19, por: CdB

O jornal "The New York Times" informou em sua edição desta terça-feira que a guerra dos Estados Unidos ao terrorismo abriu uma nova frente na África, região que, na opinião de especialistas, pode se tornar a próxima base da rede terrorista Al-Qaeda. De acordo com a reportagem, o território que se estende do chamado Chifre da África ao Saara Ocidental - considerado uma terra de ninguém - é a área de preocupação de americanos.

O jornal disse ainda que generais do Comando Europeu dos EUA, unidade militar que supervisiona a área, consideram que a região, vasta e árida, pode ser um novo Afeganistão, com grupos de radicais islâmicos recrutando, treinando e se armando.

 Atentados terroristas como os de 11 de março e Madri, que mataram 191 pessoas, parecem ter ligação com o Norte da África - e podem ser indício de outros atentados na Europa.

Os militares americanos, diz o jornal, tentam uma nova abordagem na África, após aprenderem com erros no Afeganistão e no Iraque. Em vez de planejar manter uma grande presença militar dos EUA na região, eles estão enviando forças das Operações Especiais a países como Mali e Mauritânia, na África Ocidental, para treinar soldados africanos e equipá-los com picapes, rádios e equipamento de posicionamento por satélite.

"Queremos ser preventivos, para que não tenhamos que pôr os pés no Norte da África como fizemos no Afeganistão", disse ao jornal o chefe do Comando Europeu, tenente-coronel Powl Smith, dizendo que ao ajudar os governos locais a combater o terrorismo, os EUA não se tornam "um alvo para a fúria popular, que radicais podem capitalizar".

Segundo especialistas militares americanos, radicais da Al-Qaeda que foram expulsos do Afeganistão pela presença de tropas da coalizão no país - e que não conseguem entrar na Europa por bloqueios no Mediterrâneo - estão se encaminhando para o Norte da África. Eles citam o caso de Emad Abdelwahid Ahmed Alwan, também conhecido como Abu Mohamed, um radical da Al-Qaeda que viajou pela África em 2002 para ajudar a planejar ataques.

Alwan, um iemenita e aliado próximo do vice de Osama bin Laden, o egípcio Ayman al-Zawahiri, estava ligado aos atentados de outubro de 2000 contra o navio americano USS Cole. Ele também teria ajudado a planejar o ataque à embaixada dos EUA na capital do Mali, Bamako, antes de ser morto, em 2002, numa batida de forças argelinas na província de Batna, Argélia.

Tags:
Edições digital e impressa