Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2026

EUA já reconhecem vitória de Evo Morales

Três fontes ligadas a organismos internacionais, de alta confiabilidade, revelaram ao Correio do Brasil, em La Paz, que o líder reformista Evo Morales chegará à vitória, neste domingo, com uma margem tão ampla de votos que será impossível não se converter no primeiro presidente indígena da Bolívia, sem margem de manobra para as forças da oposição. (Leia Mais)

Sábado, 17 de Dezembro de 2005 às 13:20, por: CdB

Três fontes ligadas a organismos internacionais, de alta confiabilidade, revelaram ao Correio do Brasil, em La Paz, que o líder reformista Evo Morales chegará à vitória, neste domingo, com uma margem tão ampla de votos que será impossível não se converter no primeiro presidente indígena da Bolívia, sem margem de manobra para as forças da oposição. Até mesmo as forças conservadoras que apoiavam o o ex-presidente neoliberal Jorge "Tuto" Quiroga, da liga de ultradireita Poder Democrático Social (PODEMOS), já iniciaram conversações confidenciais com o virtual novo mandatário da nação.

As fontes independentes, que ocupam cargos influentes em organismos de cooperação multilateral com a Bolívia, uma delas ligada à embaixada norte-americana, obtiveram acesso a pesquisas nunca divulgadas à população boliviana, que mostram o líder dos cocaleros e chefe do Movimento ao Socialismo (MAS), com 40% a 42% dos votos, enquanto seu adversário alcançaria entre 18% al 25% da preferência dos eleitores nas urnas.

As pesquisas foram realizadas, em caráter confidencial, em todos os departamentos (Estados) bolivianos, sendo uma delas entre a primeira e a segunda quinzena de novembro e a última na primeira semana de dezembro, por institutos especializados, ligados a estas organizações internacionais, com o objetivo de medir, com precisão, os destinos eleitorais do país mais pobre da América Latina. Na melhor das hipóteses, ainda segundo estas fontes independentes, o quadro eleitoral tende a se equilibrar, no dia da votação, com Morales em 45% e Quiroga com 25%.

As fontes também são unânimes em apontar que Evo e o MAS vão conseguir uma larga vitória nas eleições presidenciais e legislativas em cinco dos nove departamentos do país. Em La Paz, Cochabamba e Potosí o triunfo do movimento indígena seria impressionante, enquanto que em Oruro y Chuquisaca as a distância para o segundo colocado seria grande, mas não tão marcantes. Nos outros quatro departamentos, Santa Cruz, Tarija, Beni y Pando, o MAS chegaria em segundo lugar, mas por uma pequena margem de distância.

"Tuto" Quiroga, do PODEMOS conseguiria, no entanto, conquistar a maioria parlamentar nos departamentos a oeste e sul do país, onde Morales chegará em segundo, e seria segundo colocado nas regiões ocidentais e nos vales, onde Evo mantém a ampla maioria. Todavia, pelas características da distribuição de votos e das eleições parlamentares, a acachampante vitória da esquerda indigenista moderada, não se refletiria com a mesma contundência na composição do próximo parlamento, onde o MAS obteria uma ligeira, mas instável, maioria no Senado. A diferença pró-Evo seria maior na Câmara dos Deputados.

Desta forma, ainda segundo prognóstico das fontes internacionais, a esmagadora diferença de votos entre o primeiro e o segundo lugar praticamente obrigaria o Congresso a ungir Morales como o primeiro presidente indígena a governar a Bolívia, apesar de a Constituição daquele país conferir ao parlamento o direito de escolher entre os dois candidatos mais votados nas urnas, caso nenhum deles tenha conseguido obter a metade mais um dos sufrágios.

A contundência dos números apurados, junto com a clara mudança do discurso de Morales para um tom mais moderado, prometendo respeitar os investimentos e a propriedade privada no país, sem expropriar as companhias petroleiras estrangeiras e preservar o capitalismo como sistema econômico do país, convenceram grande parte dos organismos internacionais e até mesmo a embaixada dos Estados Unidos a abandonar o candidato de ultradireita e optar com uma linha de negociação com a linha socialista liderada por Morales.

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