O governo dos Estados Unidos planeja atacar as instalações nucleares iranianas de Natanz, inclusive com o emprego de armas nucleares, afirma a revista New Yorker, em sua edição desta semana, que chegou às bancas neste domingo. Uma fonte citada pelo semanário disse que os planos do Pentágono são "enormes, febris e operativos", com um objetivo central: derrubar o governo iraniano e alterar a estrutura de poder no país através da guerra.
O artigo, escrito pelo jornalista Seymour Hersh, diz que o presidente George W. Bush considera o novo líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, um "Adolf Hitler em potencial". O primeiro sinal sobre o ataque teria sido dado em março deste ano quando a Casa Branca relançou a doutrina de ataques preventivos, segundo a qual os EUA se atribuem o direito de atacar qualquer país caso considere-o um risco potencial. O Irã é a bola da vez, garante o articulista da New Yorker.
A administração Bush, diz Seymour Hersh, enquanto advoga publicamente meios diplomáticos para resolver a crise com Teerã, já está realizando atividades clandestinas dentro do território iraniano e acelerando o planejamento para um grande ataque aéreo ainda esse ano. Comandos da Força Aérea norte-americana já teriam sido infiltrados em solo iraniano para identificação de alvos e estabelecimento do contato com grupos de oposição ao governo de Ahmadinejad.
Hersh cita uma declaração feita por Patrick Clawson, especialista em assuntos iranianos e conselheiro da Casa Branca: "a administração Bush está realizando esforços diplomáticos, mas o Irã não tem outra escolha - ou aceita a demanda de interromper o seu programa militar ou terá que enfrentar um ataque militar". Levando e conta a disposição de Teerã de não ceder às pressões de Washington a questão não é mais se ocorrerá ou não um ataque, mas sim quando ele se dará.
Uma guerra pré-eleitoral?
A nova versão da Estratégia de Segurança Nacional, divulgada em março, identifica claramente o governo de Teerã como o principal adversário dos EUA hoje. "Não enfrentamos nenhum desafio maior do que aquele representado por um só país, o Irã", diz o texto de 48 páginas, apresentado pelo conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley.
O analista político Piotr Goncharov, da agência de notícias russa Novosti, avalia que, caso os planos de ataque estejam de fato em marcha, a data mais provável de sua execução seria entre os meses de setembro e outubro deste ano. Em novembro serão realizadas eleições para o Congresso norte-americano e a administração Bush contaria com o ataque para uma vitória expressiva dos republicanos. E o governo iraniano, segundo Goncharov, está levando muito a sério essa possibilidade e também começa a se preparar para a guerra. Em março, promoveu exercícios navais de grande envergadura, intitulados "O Grande Profeta", e apresentou novas armas de seu arsenal.
Testou com sucesso, por exemplo, o míssil anti-aéreo "Misag 1", dotado de um sistema de orientação térmica com capacidade de mudar de direção em alta velocidade. Também apresentou o míssil terra-mar "Kousar", de médio alcance, dotado de sistemas de busca e guiado à distância que não pode ser destruído por instrumentos de guerra eletrônica. E testou ainda o míssil balístico "Fajr 3", invisível para os radares, e o torpedo "Hut", capaz de desenvolver uma velocidade de 100 metros por segundo na água.
Ao anunciar o êxito das manobras e dos testes, o governo iraniano quis mandar um recado ao mundo e, particularmente, aos EUA: "o menor atentado contra os interesses do Irã no Golfo Pérsico será rechaçado prontamente desde água, terra e ar". Teerã pretende demonstrar, segundo Goncharov, que controla o setor do Golfo Pérsico por onde passa 80% do petróleo extraído na região, ou seja, o estreito de Ormuz.
A força na região
Mas os EUA e seu principal aliado na região, o governo de Israel, não acreditam, segundo o analista russo, que