Vice-presidente norte-americano Joe Biden anunciou neste sábado mudanças na política externa dos Estados Unidos que enfatizam a diplomacia sobre o poder militar, mas instou seus aliados a compartilhar uma parcela maior do fardo das crises globais.
– Venho à Europa em nome de um novo governo, determinado a dar um novo tom em Washington e nas relações norte-americanas ao redor do mundo. Vamos nos comprometer, vamos ouvir e consultar. Os EUA precisam do mundo, assim como acredito que o mundo precisa dos EUA – disse Biden em uma conferência sobre segurança em Munique, na Alemanha.
Realizando o primeiro grande discurso de política externa do governo Obama, Biden repudiou claramente a política do "conosco ou contra nós" do ex-presidente George W. Bush. O discurso de Biden também buscou virar a página sobre a invasão do Iraque em 2003, liderada pelos EUA, e o ceticismo de Bush sobre mudanças ambientais, que alienaram muitos europeus. Biden, entretanto, deixou claro que os EUA continuam preparados para usar seu poder militar para proteger sua segurança nacional.
– Não existe conflito entre nossa segurança e nossos ideais. Eles se reforçam mutuamente. A força das armas conquistou nossa independência, e ao longo de nossa história ela protegeu nossa liberdade. Isso não vai mudar – disse ele.
Ao mesmo tempo em que prometeu que Washington vai consultar e ouvir mais seus aliados, ele disse que o país também vai pedir mais destes, por exemplo aceitando detentos da prisão militar de Guantánamo, em Cuba, que o presidente Barack Obama pretende fechar dentro de um ano.
– Os EUA farão mais, mas vão pedir mais de seus parceiros. As ameaças que enfrentamos não respeitam fronteiras. Nenhum país, não importa o quão poderoso, pode lidar com elas da melhor maneira sozinho – afirmou.
Em seu discurso abrangente, Biden solicitou um maior comprometimento dos membros da OTAN no Afeganistão, um esforço conjunto para forçar o Irã a abandonar seu programa nuclear, uma redução acentuada nos arsenais nucleares e a interrupção do que chamou "uma alteração perigosa" nas relações com a Rússia. O discurso de Biden foi escasso em anúncios, mas analistas haviam dito antecipadamente que a simples presença do vice-presidente na conferência, a que normalmente comparece o secretário de defesa norte-americano, enviou um sinal importante à Europa de que o governo Obama está determinado a reconstruir relações estremecidas.
Houve muita especulação antes da conferência de que Biden anunciaria a suspensão ou revisão dos planos do governo Bush de instalar um escudo anti-mísseis no Leste Europeu, o que irritou a Rússia.
– Vamos continuar a desenvolver a defesa de mísseis para fazer frente à crescente capacidade iraniana, contanto que a tecnologia se mostre adequada no funcionamento e no custo – disse Biden ao encontro de especialistas em segurança e líderes europeus.
Ele, no entanto, ressaltou:
– Vamos fazê-lo em consultas com nossos aliados na OTAN e com a Rússia.