EUA irão discutir pausa em conflito no Iêmen com sauditas, diz Kerry
Os EUA estão alarmados com a situação humanitária no Iêmen e nesta quarta-feira irão discutir com autoridades sauditas uma possível interrupção no conflito.
Kery é o primeiro ocupante do posto a visitar a nação do chamado Chifre da África
Os Estados Unidos estão alarmados com o agravamento da situação humanitária no Iêmen e nesta quarta-feira irão discutir com autoridades sauditas uma possível interrupção no conflito para tentar levar alimentos, combustível e remédios para os civis, declarou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.
- A situação está se tornando mais grave a cada dia, e estamos preocupados com isso - disse Kerry em uma coletiva de imprensa durante visita a Djibuti – ele é o primeiro ocupante do posto a visitar a nação do chamado Chifre da África. Kerry disse que os EUA instaram os dois lados do conflito no Iêmen a respeitarem as leis humanitárias e fazerem com que os civis sejam poupados nos combates.
- Discutiremos a natureza da pausa e como pode ser implementada. Estou convencido de seu desejo de implementar a pausa - disse Kerry, afirmando ter debatido a ideia com outros países, que deram a entender que os houthis “também podem estar dispostos a fazer uma pausa”.
Ele anunciou um novo pacote de ajuda de US$ 68 milhões para as agências de assistência humanitária que atuam no Iêmen, já que grupos de ajuda alertaram que a escassez de combustível pode afetar seus esforços para lidar com a crise.
Essa carência atrapalhou hospitais e a entrega de suprimentos de comida nas últimas semanas, e o Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que sua necessidade mensal de combustível saltou de 40 mil para 1 milhão de litros.
Em 26 de março uma coalizão liderada pela Arábia Saudita iniciou ataques aéreos no Iêmen contra combatentes do grupo houthi, que tem o Irã como aliado e conta com o apoio de forças leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh. Os houthis assumiram o controle de partes do país, incluindo a capital Sanaa. A aliança encabeçada pelos sauditas está cogitando uma trégua em algumas áreas para permitir a distribuição da ajuda humanitária.
Ajuda humanitária pode ser suspensa no Iêmen
Aviões de uma coalizão liderada Arábia Saudita bombardearam províncias iemenitas perto da fronteira com o território saudita durante a noite, matando pelo menos 43 civis, disseram fontes da minoria houthi, enquanto 22 agências de ajuda alertavam que a escassez de combustível poderia interromper seu trabalho.
Os ataques ocorreram após combatentes houthis, do Iêmen, lançarem bombas e projéteis de morteiro em uma cidade saudita na fronteira, na terça-feira, no primeiro ataque no território do país vizinho desde que a coalizão iniciou uma campanha militar contra eles em 26 de março.
O conflito tem atrapalhado as importações no Iêmen, onde cerca de 20 milhões de pessoas – ou 80 por cento da população – podem vir a passar fome, de acordo com uma declaração da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Fórum Internacional de ONGs no Iêmen.
A escassez de combustível tem prejudicado hospitais e o abastecimento de alimentos nas últimas semanas, e o Programa Mundial de Alimentos da ONU informou que a carência de combustíveis no país passou de 40 mil litros por mês para 1 milhão de litros.
- Milhões de vidas estão em risco, em especial as crianças, e logo não vamos ser capazes de responder - declarou Edward Santiago, diretor da entidade Save the Children, em um comunicado.
A declaração também desconsiderou um anúncio feito pela aliança liderada pela Arábia Saudita sobre uma possível trégua em algumas áreas para permitir a entrada de suprimentos humanitários, dizendo que isso não seria suficiente.
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