Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

EUA interfere e não mantém ordem interna, diz opositores de Saddam

Quinta, 10 de Abril de 2003 às 13:50, por: CdB

Os Estados Unidos estão interferindo nos assuntos iraquianos e fazendo muito pouco para manter a ordem interna, acusaram nesta quinta-feira opositores de Saddam Hussein dentro e fora do Iraque, num indício da impaciência iraquiana um dia depois de Saddam ter perdido o controle de sua capital. Um alvo das críticas eram os planos dos EUA de promoverem no próximo sábado um encontro de líderes oposicionistas na cidade sulista iraquiana de Nasiriya para discutir planos para uma administração pós-guerra que deve ser comandada por um general americano da reserva, Jay Garner. Sobhi al-Jumaili, um porta-voz do Partido Comunista Iraquiano, disse que seu grupo não está interessado nas discussões patrocinadas pelos EUA. "Queremos um governo nacional iraquiano sem um mandato ou intervenção estrangeiros", anunciou al-Jumaili, em Londres. Em Teerã, o Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque, uma organização xiita baseada no Irã que é o maior grupo de oposição iraquiano, se manifestou contrário tanto ao encontro quanto em relação aos planos de uma administração interina liderada pelos EUA. "Queremos que a comunidade internacional, incluindo os americanos, nos ajude a nos livrar da ditadura de Saddam, e não que imponha sua vontade sobre nossa nação. Somos seus amigos, não seus agentes", explicou Abu Eslam al-Saqir, um porta-voz do grupo xiita. Muitos líderes da oposição acreditam que o encontro visa ajudar a instalar líderes da oposição que são próximos da administração Bush, como o líder do Congresso Nacional Iraquiano Ahmed Chalabi, num governo pós-Saddam. Tal iniciativa, avaliaram, criaria um regime fantoche no Iraque que sofreria a resistência do povo iraquiano. "Para quê é esse encontro, o que sairá dele?" questionou Ghassan al-Attiya, um líder oposicionista baseado em Londres. "É para promover alguns (líderes iraquianos) em detrimento de outros?" Al-Attiya, um professor de ciência política que foi eleito em dezembro para um comitê de ligação da oposição iraquiana, sugeriu que o que deveria ser realizada é uma "abrangente" conferência iraquiana para preparar o período transitório e a democracia. Mudar Shawkat, cujo Congresso Nacional Iraquiano planeja participar do encontro, disse nesta quinta-feira à tevê árabe Al-Jazira que a reunião deveria ser vista apenas como um primeiro passo. "A conferência é para explicar como será o próximo período e a democracia e não para formar um governo ou apontar qualquer pessoa", garantiu Shawkat em Nasiriya, onde, segundo ele, seu grupo já está trabalhando para ajudar a restaurar a ordem e os serviços públicos. Forças britânicas, enquanto isso, foram duramente criticadas por terem pedido a um xeque local para ajudar a administrar a cidade sulista iraquiana de Basra. Os britânicos não identificaram o homem, mas exilados iraquianos disseram tratar-se de Mizahem al-Timimi, que seria um ex-oficial do Exército iraquiano com conexões tribais. Um dignatário religioso em Basra mostrou-se furioso nesta quinta-feira com os britânicos, advertindo que eles não devem interferir na política local. "Os iraquianos não são um povo primitivo... Eles são capazes de administrar seus negócios", frisou o xeque Saeed Ali al-Saadi, que representa o líder xiita iraquiano aiatolá Sayyid Ali al-Husseini al Sistani, à tevê Al-Jazira em Basra. Em outra entrevista divulgada pela Al-Jazira, o advogado iraquiano Mohammed al-Sheikhli criticou as forças americanas por não conterem os saques e distúrbios em Bagdá. "Não é isso que estávamos esperando, os saques e a anarquia obscureceram nossa felicidade", afirmou.

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