Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

EUA incluem casa cubana de Hemingway em rol de locais ameaçados

Quinta, 02 de Junho de 2005 às 12:00, por: CdB

A adorada residência cubana do escritor Ernest Hemingway se juntou a casas de ex-presidentes norte-americanos e à ilha King, no Alasca, na lista anual dos "Lugares Históricos Mais Ameaçados da América", divulgada na quinta-feira. "América", no caso, se refere aos Estados Unidos.

É a primeira vez que uma propriedade de fora dos EUA aparece na lista, mas o presidente do Fundo Nacional de Preservação Histórica, Richard Moe, disse que essa decisão foi tranquila, devido à importância do imóvel de Hemingway para a cultura norte-americana.

- Embora fique fora dos Estados Unidos, a casa é parte importante da nossa herança cultural. Hemingway é uma figura literária muito reverenciada neste país e mundo afora. Ela merece ser preservada - afirmou Moe à Reuters.

A deteriorada propriedade ocupa 3,64 hectares em uma colina um pouco a leste de Havana. Ela foi legada ao povo cubano após o suicídio do escritor, em 1961, e atualmente ali funciona um museu com livros e manuscritos do famoso romancista norte-americano.

Hemingway morou na "finca" (chácara) Vigia entre 1939 e 60. Ali escreveu "O Velho e o Mar", livro que conta a luta de um pescador contra um peixe agulhão e lhe rendeu um prêmio Pulitzer e o Nobel de Literatura. Também nessa casa o escritor recebeu celebridades como Ava Gardner e Gary Cooper.

Atingida por furacões e exposta ao clima tropical de Cuba, a mansão agora tem graves problemas estruturais, e especialistas a consideram sob "emergência de preservação", segundo Moe.

RESTAURAÇÃO

No mês passado, o Departamento do Tesouro autorizou o Fundo Nacional de Preservação Histórica e a Fundação Hemingway de Preservação, com sede em Massachusetts, para enviar uma equipe de pesquisadores à casa.

Essa autorização é necessária devido ao embargo econômico dos EUA a Cuba. Um pedido anterior havia sido negado pelo governo Bush, que via no projeto um incentivo ao turismo e, portanto, à economia comunista cubana.

Moe disse que o grupo deve embarcar para Cuba ainda nos próximos dias, embora ainda não tenha o aval burocrático para gastar dinheiro na restauração da casa. Ele afirmou que a cooperação com os cubanos vem sendo boa e que o governo da ilha está se empenhando ao máximo para preservar a casa dentro de seus recursos limitados.

- Os cubanos são excelentes guardiões dessa propriedade, mas o tempo e o clima cobraram seu preço - disse Moe. Outros dez lugares aparecem na lista anual, como a ilha King, no Alasca, onde as estruturas que representam a rica cultura dos esquimós Inupiat correm o risco de serem tragadas pelo mar de Bering.

A milhares de quilômetros dali, a expansão dos subúrbios ameaça uma faixa de 280 quilômetros nos Estados de Virgínia, Maryland e Pensilvânia. Nessa área estão centenas de monumentos históricos, inclusive seis casas de ex-presidentes, locais ligados à história dos negros nos EUA, campos de batalha da Guerra da Secessão e belas estradas e rios.

No Oeste, o Sistema de Conservação da Paisagem Nacional, que reúne dezenas de monumentos nacionais, trilhas históricas e sítios arqueológicos milenares em 12 Estados, está sendo destruído por furtos, vandalismo e ocupação não-autorizada da terra.

No Condado de York (Pensilvânia), o único campo de prisioneiros remanescente da Revolução Americana também está ameaçado. Na Flórida, o imponente hotel Belleview Biltmore pode ser demolido.

Igrejas Católicas da região metropolitana de Boston também aparecem na lista, junto com prédios do centro de Detroit e da casa de Ennis-Brown, em Los Angeles, obra do arquiteto Frank Lloyd Wright.

A Faculdade Eleutéria, em Indiana, também precisa de verbas para restauração, a exemplo da fazenda Daniel Webster, em New Hampshire.

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