As exportações brasileiras de produtos siderúrgicos não sofrerão novos danos com a imposição de tarifas antidumping e anti-subsídios a serem aplicadas pelos Estados Unidos sobre as importações de cordoalhas para concreto protendido, produto usado na construção civil.
Nesta quinta-feira a International Trade Commision (ITC), uma agência independente dos Estados Unidos, confirmou que houve dano aos fabricantes locais de cordoalhas de aço, abrindo caminho para o governo americano impor sobretaxas sobre as importações do produto do Brasil, Índia, México, Coréia do Sul e Tailândia.
No caso do Brasil, as tarifas antidumping sobre o produto deverão alcançar 118,75%, a maior sobretaxa entre os cinco países que foram alvo da medida. Os produtores mexicanos de cordoalhas de aço enfrentarão tarifas entre 62,78% e 77,2%; os tailandeses, de 12,99%, e os sul-coreanos entre 35,64% e 54,19%. Já a Índia, além das tarifas antidumping entre 83,65% e 102,7%, será penalizada com margem anti-subsídios de 62,92%.
Essas sobretaxas foram indicada pelo Departamento de Comércio americano, em dezembro do ano passado, depois de três produtores americanos de cordoalhas terem entrado com o pedido de aplicação das medidas protecionistas.
- A decisão da ITC não surpreendeu, pois entendemos que a decisão do governo americano, pelo histórico protecionista no aço, já estava tomada, bastando cumprir o ritual - disse fonte do setor no Brasil.
A única empresa brasileira afetada foi a Belgo Bekaert Arames (BBA), uma joint venture entre a Cia. Belgo Mineira (55%) e a belga Bekaert (45%), maior produtora de arames do mundo.
Com sede em Contagem, Minas Gerais, a BBA já tinha suspendido as exportações de cordoalhas para concreto protendido para os EUA desde julho de 2003, quando a ITC aceitou abrir a investigação solicitada pelos fabricantes locais. São eles American Spring Wire Corp., de Ohio, Insteel Wire Products Company, da Carolina do Norte, e Sumiden Wire Products, do Tennessee.
O risco de manter as exportações em casos como este é enorme. Caso a BBA insistisse em continuar com as vendas para os EUA e a ITC viesse a comprovar o dano, como o fez ontem, a empresa ficaria sujeita à taxação retroativa, daí a decisão de suspender os embarques. Durante o processo, a BBA apresentou defesa ante a ITC, mas não jogou pesado por entender que o jogo já estava decidido.
- Os Estados Unidos eram um mercado importante - disse a fonte, sem revelar volumes exportados pela BBA para o mercado americano.