Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

EUA: Impasse sobre a dívida continua e economia vai de mal a pior

Sexta, 29 de Julho de 2011 às 14:39, por: CdB

Apesar dos insistentes apelos do presidente Barack Obama, renovados nesta sexta, 29, o impasse sobre a elevação do teto da dívida pública dos Estados Unidos está encerrando a semana sem perspectiva de solução, semeando instabilidade, derrubando as bolsas e derretendo o valor do dólar pelo mundo. O prazo final para um acordo é 2 de agosto, a próxima terça-feira. Justificando o ditado de que desgraça pouca é bobagem, a economia real do país emite novos sinais de fraqueza e estagnação.Informações divulgadas hoje, 29, pelo Departamento de Comércio estadunidense indicam que o PIB cresceu muito abaixo do esperado no segundo bimestre do ano, 1,3%, frustrando as expectativas dos economistas, que projetavam uma alta de 1,8%. A leitura do PIB mostrou que o crescimento foi sustentado amplamente pelo investimento das empresas e pelas exportações.

Consumo desacelera

Já o gasto dos consumidores subiu a uma taxa anualizada de 0,1% no segundo trimestre, a mais fraca em dois anos, indicando uma forte desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando avançou 2,1%. O fato reflete o elevado nível de desemprego e a contenção do endividamento das famílias. As despesas das empresas subiram 6,3% no segundo trimestre, enquanto os estoques aumentaram US$ 49,6 bilhões, adicionando 0,18 ponto porcentual ao PIB.

Os gastos e os investimentos do governo recuaram, refletindo a crise da dívida dos estados. Embora os gastos do governo federal tenham subido 2,2%, os gastos dos governos estaduais e municipais declinaram 3,4%.

Custo de mão de obra

Outro dado divulgado hoje foi o custo da mão de obra. A elevação dos benefícios concedidos aos trabalhadores norte-americanos provocou alta no custo da mão de obra nos EUA durante o segundo trimestre, informou o Departamento do Trabalho.

O custo da mão de obra avançou 0,7% no segundo trimestre, superando a alta de 0,5% prevista por economistas consultados pela Dow Jones. Foi a maior alta desde o terceiro trimestre de 2008.

As remunerações e os salários avançaram apenas 0,4% no segundo trimestre, mas os custos com benefícios subiram 1,3% em relação ao trimestre anterior. Os benefícios incluem pagamentos de hora extra, bônus não relacionados à produção, assim como pagamentos com demissões, seguros e aposentadorias. Foi o maior aumento trimestral dos benefícios em quatro anos. Em relação ao segundo trimestre de 2010, o custo da mão de obra subiu 2,2% no segundo trimestre.

Dados do Federal Reserve, divulgados quarta-feira (27), indicam que a produção industrial desacelera ou cai em várias regiões dos EUA. O imbróglio em torno da dívida tende a agravar a situação da economia real.

Bolsas e dólar

As bolsas caíram em quase todo o mundo nesta sexta. Nos EUA, o Dow Jones encerrou os pregões em baixa de 0,65% e o Nasdaq recuou 0,26%. A bolsa de Londres perdeu 0,99%; no Japão, a queda foi de 0,69%, na Espanha, 0,27%, França, 1,07%. O FTSEurofirst 300, que mede o desempenho dos mais importantes papéis europeus, caiu 0,4%, a 1.084 pontos. No acumulado da semana, houve baixa de 2,7%. O Ibovespa não seguiu a tendência mundial e subiu ligeiramente (0,20%). O giro financeiro atingiu R$ 6,276 bilhões. Na semana, contudo, o índice caiu 2,4% e no mês a depreciação chega a 5,7%.

A crise da dívida nos EUA empurrou o dólar ladeiro abaixo no mundo e no Brasil, onde a moeda emitida pelo Tio Sam a torto e a direito terminou a sexta em baixa de 1,51%, anulando boa parte da alta verificada nos dois dias anteriores em função das medidas anunciadas pelo ministro Guido Mantega para conter a especulação com a valorização do real no mercado financeiro.

A situação periclitante da economia norte-americana, que surpreende os analistas desavisados e frustra os apologistas do império, está provando a tese de Pequim de que é necessário e urgente substituir o padrão dólar como referência dos preços, contratos e reservas internacionais. O problema é que não há, neste momento, um substituto à altura.

Da Redação, com agências



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