Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

EUA gastam muito e ganham pouco contra cocaína, dizem analistas

Quinta, 31 de Março de 2005 às 16:01, por: CdB

Os Estados Unidos já gastaram 3 bilhões de dólares para combater a produção de cocaína na Colômbia, mas obtiveram poucos avanços no último ano, disseram analistas na quinta-feira, citando dados do governo norte-americano.

A extensão das lavouras de coca, a matéria-prima da cocaína, permaneceu estável em 2004, apesar da campanha de fumigação aérea realizada pelo quarto ano consecutivo, num programa que já absorveu mais de 3 bilhões de dólares cedidos pelos EUA.

Dados de satélites mostraram a existência de 114 mil hectares de lavouras de coca na Colômbia em 2004. Isso é um terço do que havia em 2001, mas o mesmo que em 2003. Há sinais de que os plantadores estão encontrando formas de evitar a ação do veneno jogado de avião e rapidamente replantando as lavouras ilegais.

A Agência de Política Nacional de Controle de Drogas, ligada à Casa Branca, divulgou os dados na Sexta-Feira Santa, o que fez com que eles passassem quase despercebidos.

- Não acho que isso fosse algo que eles quisessem especialmente propagandear. É uma grande frustração do ponto de vista deles - disse Michael Shifter, da entidade Diálogo Interamericano, de Washington.

Esses dados corroboram declarações de analistas segundo os quais a exportação de cocaína para os EUA caiu muito pouco. A Colômbia é o maior produtor mundial da droga, da qual os norte-americanos são os maiores consumidores.

Os especialistas dizem que a capacidade produtiva caiu 7 por cento no ano passado devido à maior proporção de plantas jovens e imaturas nas lavouras, mas que, se a extensão cultivada não diminuir, a produção pode voltar a crescer quando essas plantas atingirem a maturidade.

- Deve haver uma urgente revisão da efetividade da aspersão (de veneno) como principal ferramenta para o combate à produção da droga na Colômbia - disse Alfredo Rangel, ex-assessor do presidente colombiano, Álvaro Uribe, e hoje diretor de uma consultoria de segurança em Bogotá.

- Deve haver uma análise da relação custo-benefício deste enorme esforço, que já custou bilhões de dólares - afirmou.

Um assessor do "czar" antidrogas da Casa Branca, John Walters, disse que houve progressos, embora se trate de uma luta contra quadrilhas muito ricas.

- Continuamos na direção correta. A direção correta é particularmente medida pelo que mais importa: qual é a capacidade produtiva agora, quanta cocaína pode ser produzida. E estamos diminuindo isso (...) há três anos consecutivos - afirmou David Murray.

Os dados mostraram também uma redução de 52 por cento nas lavouras de papoula, matéria-prima do ópio e da heroína - um "negócio auxiliar" dos cartéis, que tiram a maior parte do seu lucro da cocaína.

- Desde 2001, ganhamos todos os rounds. Ainda é uma luta, e todos gostariam de ver um nocaute - disse Murray.

Os cartéis colombianos se associaram aos paramilitares de direita e às guerrilhas de esquerda que travam uma guerra civil de quatro décadas na Colômbia. A mesma cocaína pode se deslocar por áreas rivais, ajudando a comprar munição para ambos os lados.

Markus Schultze-Kraft, da entidade International Crisis Group, disse que a fumigação das lavouras deveria ser complementada por formas de ajudar os agricultores a adotarem cultivos legais.

- Não é uma tarefa fácil estimular e ampliar alternativas e o desenvolvimento rural na Colômbia, mas parece ser a única forma para sair desse impasse - disse ele, acrescentando que a fumigação é "uma caça às plantações de cocaína pelo país que não pode ser vencida".

Mas não há perspectivas de mudanças imediatas na política norte-americana. Uribe é o principal aliado de Washington na América Latina, e seu sucesso contra os rebeldes marxistas é um dos poucos resultados positivos da diplomacia dos EUA na região, segundo Shifter.

- A boa notícia para o governo é não só que (os dados) apareceram na Sexta-Feira Santa, mas que não há

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