Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

EUA ficam isolados em conferência ambiental da ONU

Quarta, 15 de Dezembro de 2004 às 15:56, por: CdB

Ministros do Meio Ambiente de 80 países se reuniram na quarta-feira em Buenos Aires, na fase final de uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre alterações climáticas que até agora não conseguiu romper a resistência norte-americana em se unir aos esforços internacionais contra o aquecimento global.

A conferência, com a participação de quase 200 países, acabou se polarizando: os europeus de um lado, apoiando o Protocolo de Kyoto, que visa a conter as emissões de gases que provocam o efeito-estufa, e de outros os Estados Unidos, o maior poluidor do mundo.

Apenas dois meses antes da entrada em vigor do protocolo, graças à ratificação pela Rússia, os EUA deixaram bem claro que não vão se juntar aos esforços do acordo, que estabelece tetos de emissão. O presidente George W. Bush retirou o país do protocolo em 2001.

A delegação norte-americana também repetiu várias vezes durante os nove dias de conferência que é "prematuro" negociar qualquer coisa com vistas ao fim da vigência do protocolo, em 2012.

A posição deixou os EUA numa situação pouco amistosa durante o décimo encontro ambiental da ONU, em que muitos dos 6.000 participantes usam fitas com os dizeres: "Não a Bush. Sim a Kyoto."

Mas a chefe da delegação norte-americana, Paula Dobriansky, disse que é injusta a impressão de que o país está resistente aos esforços para conter a alteração climática.

"Acreditamos que temos um objetivo comum e um compromisso comum, e que há múltiplas estratégias para alcançá-lo. Acredito que estamos comprometidos em trabalhar com os outros", disse Dobriansky à Reuters na noite de terça-feira.

O premiê britânico, Tony Blair, tentará amolecer a posição de Bush na questão no ano que vem, quando ocupar a presidência do G8, mas analistas não acreditam que ele conseguirá.

O posicionamento norte-americano ganhou o reforço da Itália em Buenos Aires, já que o país pediu o fim dos acordos mandatórios depois que acabar a vigência do protocolo de Kyoto, em 2012. A Itália quer metas voluntárias que sejam adotadas pelos EUA, pela China e pela Índia.

O protocolo de Kyoto, que pretende reduzir em 5 por cento as emissões nos países industrializados, é apenas o primeiro passo para conter o aquecimento global. Países em desenvolvimento como China e Índia, que estão entre os cinco maiores poluidores do mundo, não têm metas obrigatórias a cumprir.

Ministros da União Européia, que lidera a luta contra a emissão de gases, disseram não querer isolar os Estados Unidos, responsáveis por 25 por cento das emissões do mundo.

"Os EUA não vão entrar no Protocolo de Kyoto, mas não estão nas margens do rio, estão no mesmo barco", disse à Reuters o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Jurgen Trittin.

Ambientalistas acusam a conferência, no entanto, de excesso de complacência com os EUA. "É importante incluir os EUA nas negociações, mas isso não pode ser feito a qualquer preço", disse Giulio Volpi, da ONG ambiental WWF.

A Argentina e a UE pressionam pela realização de "seminários" para discutir o que ocorrerá depois de 2012, mas os EUA não querem se comprometer.

Um dos principais objetivos da conferência é aprovar um pacote de assistência para que os países em desenvolvimento se adaptem à alteração climática. Mas uma poderosa delegação da Arábia Saudita, liderada pelo ministro do Petróleo Ali al-Naimi, parece estar bloqueando os trabalhos.

"Para eles, bloquear as negociações é um princípio, porque estão envolvidos com indústrias norte-americanas de petróleo e outros combustíveis fósseis que não têm nenhum interesse em Kyoto", disse Stephan Singer, da WWF.

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