Mais uma vez e com fervor, o presidente Vladimir V. Putin rebateu os pedidos americanos de apoio a uma possível campanha militar no Iraque, argumentando em uma entrevista na última segunda-feira que a guerra pode tumultuar o mundo islâmico e que "uma crise desse tipo deve ser resolvida pacificamente". Mas com igual fervor, os EUA agora parecem retirar todas suas paradas diplomáticas em uma ação para conseguir uma aprovação crucial sobre o impasse iraquiano na ONU. Oficiais americanos iniciaram o que um disse ser a fase final do debate sobre o Iraque esta semana, com uma série de encontros e conversas com seus parceiros russos. Sua mensagem tem sido a de que o apoio russo aos EUA pode gerar benefícios tangíveis na nova relação entre os dois países - e que a oposição pode deixar o Kremlin em uma posição secundária quando começar a reconstrução do Iraque, depois da deposição de Saddam Hussein. Esse intenso galanteio reflete o julgamento da Casa Branca de que vencer o apoio russo ou sua neutralidade deixaria a França e a China, dois outros opositores de uma campanha militar, na minoria entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. Igualmente importante, dizem oficiais, o apoio russo poderia convencer países menores a apoiarem uma resolução agora defendida apenas pelos americanos, britânicos, espanhóis e búlgaros. Desde o último domingo, John Bolton, subsecretário de Estado, defende o caso iraquiano da Casa Branca em Moscou diante do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, e o presidente Bush conversou com Putin por telefone. O chefe de Estado de Putin, Aleksandr Voloshin, realizou uma série de encontros esta semana com todos os importantes oficiais da Casa Branca, de Bush ao vice-presidente Dick Cheney, passando pelo secretário de Estado Colin L. Powell. Oficiais do governo Bush disseram que Condoleezza Rice, a conselheira de segurança nacional, pode ir a Moscou para apresentar os argumentos de Washington a Putin e Igor S. Ivanov, o ministro das Relações Exteriores, que na última sexta-feira, em Pequim, alertou os EUA de que a Rússia tem o poder de veto no Conselho de Segurança, e pode usá-lo. Os americanos estão diante de um Kremlin que insiste que os interesses da paz - e da Rússia - sejam alcançados através de um consenso mundial em corporações, como a ONU. "Eles sabem que sua decisão em relação ao Iraque terá algumas conseqüências na nossa relação", afirmou um oficial do governo sobre os russos. Os EUA estão lisonjeando Putin com alguns argumentos antigos.
EUA fazem de tudo para conseguir apoio da Rússia
Sábado, 01 de Março de 2003 às 16:01, por: CdB