Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

EUA: estudo confirma queda de incidência e mortalidade de câncer

Quarta, 02 de Junho de 2004 às 19:17, por: CdB

O risco de contrair câncer e da morte por esta doença nos Estados Unidos continuou caíndo, segundo um relatório anual divulgado hoje, quarta-feira, pelas autoridades sanitárias, que apontam também a persistência de uma grande diferença entre os grupos étnicos.

O índice de morte por câncer caiu 1,1 por cento por ano entre 1993 e 2001 (último de estatísticas completas) e a incidência da doença se reduziu para 0,5 por cento ao ano entre 1991 e 2001.

A principal queda aconteceu no índice de câncer de pulmão entre as mulheres, após décadas de aumento relacionadas ao consumo de tabaco, assegura o documento publicado na revista "Câncer".

No entanto, o estudo afirma que os membros das minorias étnicas dos EUA ainda figuram entre os que têm maiores probabilidades de morrer dessa doença que as pessoas de raça branca.

O relatório foi elaborado por cientistas da Sociedade do Câncer dos EUA, o Instituto Nacional do Câncer (NCI), os Centros para o Controle e Prevenção das Doenças (CDC) de Atlanta (Geórgia) e a Associação Americana de Registros Centrais de Câncer.

O estudo informa que, quando se analisa a incidência de todos os tipos de câncer combinados, os homens hispânicos têm 16 por cento mais probabilidades de morrer vítimas de um tumor maligno que os brancos não-hispânicos.

No caso das mulheres latinas, há 20 por cento mais possibilidades de morte como conseqüência de qualquer tumor maligno que as mulheres brancas não-hispanicas.

As mulheres negras têm 52 por cento mais de possibilidades de morrer de câncer que as brancas.

O relatório confirma que a queda no número de mortes continuou em 2001, um fenômeno que também veio ocorrendo no número de casos novos nos quais a porcentagem foi de 0,5 por cento anual.

O diagnóstico de câncer de pulmão nas mulheres caiu cerca de 2 por cento por ano desde 1998, anos depois que começasse uma redução dos índices de câncer entre os homens.

"Pela primeira vez, estamos dobrando a esquina na epidemia de câncer de pulmão entre as mulheres", disse Ahmedin Jemal, da Sociedade do Câncer dos EUA, uma das autoras do relatório que é divulgado a cada ano desde 1998.

O consumo de tabaco foi muito freqüente entre os homens durante muito tempo, antes que entre as mulheres, e isso resultou numa maior incidência inicial do câncer de pulmão entre eles, afirmam os cientistas.

O câncer de pulmão ocupa ainda o primeiro lugar como causa de morte entre um e outro sexo nos EUA, e é a segunda mais comum neste país.

A queda no número de casos entre os homens começou nos primeiros anos da década de 1990, talvez por causa da morte dos fumantes da terceira idade e ao fato que os jovens começaram a deixar os cigarros, uma tendência que os médicos esperam que ocorra entre as mulheres.

No caso da sobrevivência de pacientes de câncer, foi possível uma média de cinco anos de vida a partir da detecção do tumor, disseram os cientistas.

Entre os homens, as médias de sobrevivência melhoraram nos últimos anos -mais de 10 por cento-, entre os que padecem câncer de próstata, cólon e rim, assim como melanoma (câncer de pele) e leucemia.

Nas mulheres, a melhora significativa dos índices ocorreu em câncer de cólon, rim e de mama.

Atualmente, 99,3 por cento dos homens diagnosticados nos EUA com câncer de próstata poderão sobreviver por cinco anos. Na década de 70, essa média era de 70 por cento.

Os autores do relatório explicaram que o período de sobrevivência está vinculado à detecção adiantada do câncer, e ao tratamento oportuno.

Muitas das disparidades se refletem nas minorias, que geralmente têm um deficiente acesso aos serviços de prevenção e adiantada detecção do câncer, disse Jemal.

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