Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

EUA estão por atrás de candidaturas ao Conselho da ONU

Segunda, 01 de Setembro de 2003 às 14:14, por: CdB

A mão invisível dos Estados Unidos está por trás das candidaturas dos países que aspiram ocupar, a partir do próximo dia primeiro de janeiro, as cinco cadeiras não permanentes que ficarão vagos no Conselho de Segurança. Em suas pressões para moldar o principal órgão executivo da ONU, os EUA conseguiram há alguns meses que a Líbia retirasse sua proposta de entrar no Conselho durante dois anos. A razão é que um país ao qual o Conselho impôs punições, como depois do atentado contra o avião da Pan Am em 1988, não deveria ser membro do Conselho.

Fontes diplomáticas afirmaram que, quando Washington soube da candidatura da Líbia, movimentou-se para convencer a Nigéria -país petroleiro que exerce a liderança na região para solucionar o conflito na Libéria- que se apresentasse como candidato com o apoio de Benin e Gana. Apesar da Mauritânia ter apresentado antes sua candidatura, o postulado à Nigéria poderia fazer com que o governo mauritano tenha que desistir de um assento. Não é a primeira vez que os EUA acabam com a candidatura de um país que considera hostil.

No final dos anos 90, bloqueou a candidatura do Sudão por seu apoio ao terrorismo, em benefício das Ilhas Mauricio. O Conselho é composto por cinco membros permanentes com direito a veto - EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China - e 10 não permanentes escolhidos pela Assembléia Geral por um período de dois anos.

Atualmente os não permanentes são Espanha, Alemanha, Chile, Paquistão e Angola, além de outros como países que terminarão seu mandato no final de 2003: Bulgária, Camarões, Guiné, México e Síria. Estas vagas são atribuídas segundo cinco regiões geográficas: três para a África, duas à Ásia, uma para a Europa do Leste, dois à América Latina e Caribe, e duas à Europa Ocidental.

Além da Nigéria, a Argélia poderia obter um assento pelos Estados árabes na África, e as Filipinas, com estreitos laços militares com EUA, obteria o lugar da Ásia. Na América Latina, o candidato inquestionável é o Brasil, país que tem o apoio de seus vizinhos e de três dos grandes do conselho, EUA, França e China. O país deve substituir o México.

O embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, disse que seu país, firme defensor do multilateralismo, chegará ao Conselho num momento de "grande responsabilidade ante as flagrantes dificuldades na paz e segurança que afetam a ordem mundial".

Na Europa oriental, a Bulgária poderia ceder a vaga à Romênia, um país da "nova Europa" com o qual os EUA ativam agora suas relações e a qual apoiou para entrada na Otan, que acontecerá a partir do próximo mês de maio.

Enquanto isso, começaram a surgir demandas de reforma do Conselho, embora as divergências entre os países com relação ao número e o direito a veto impedem um progresso nesta delicada questão.

- Os EUA gostariam de ver uma ampliação do Conselho para até 21 membros, mas nem todos com direito a veto. Um dos candidatos que acreditamos que deveria obter um assento permanente é o Japão - afirmou Robert Wood, porta-voz da missão dos Estados Unidos na ONU. Restam apenas quatro semanas para que a Assembléia Geral, composta por 191 países, anuncie o resultado da composição do Conselho.

Enquanto e até que as reformas não prosperem, é imenso o peso dos "cinco grandes" - especialmente dos EUA - na eleição dos candidatos.

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