Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

EUA estão divididos com relação a Irã e Coréia do Norte

O governo dos Estados Unidos está dividido entre os que querem mão firme e o uso de armas para conter o Irã e a Coréia do Norte, após estes países ameaçarem acelerar seus programas nucleares, e os que defendem a negociação. (Leia Mais)

Sexta, 13 de Maio de 2005 às 15:41, por: CdB

O governo dos Estados Unidos está dividido entre os que querem mão firme e o uso de armas para conter o Irã e a Coréia do Norte, após estes países ameaçarem acelerar seus programas nucleares, e os que defendem a negociação.

Durante a longa luta da comunidade internacional com os dois países para conter suas ambições nucleares, têm surgido em Washington rumores de que o governo teria planos avançados para bombardear as instalações nucleares destes países.

As suposições são alimentadas pelo fato de o governo sempre ressaltar que não descarta a opção militar para lutar contra essas nações.

No entanto, segundo alguns especialistas, os rumores são um sintoma de algo mais profundo: a divergência em relação à política externa que caracteriza o governo do presidente George W. Bush.

"A administração está dividida sobre qual deveria ser o objetivo, se a mudança de governo ou a mudança de comportamento no Irã e na Coréia do Norte", disse à EFE Robert Litwak, um ex-diretor de não-proliferação de armas de destruição em massa no Conselho Nacional de Segurança.

De um lado estão os chamados neo-conservadores, "falcões" que acham que a melhor estratégia de segurança dos EUA é promover a democracia, pela força se for preciso, como foi feito no Iraque.

Eles foram os responsáveis por convencer Bush a interromper as negociações com a Coréia do Norte feitas pela equipe de seu antecessor, Bill Clinton, e denunciar Pyongyang por não cumprir o compromisso assinado com os EUA em 1994.

O tiro dos americanos saiu pela culatra e a Coréia do Norte expulsou os inspetores da ONU e declarou publicamente sua intenção de produzir bombas nucleares.

Do outro lado estão os pragmáticos do governo, reunidos principalmente no Departamento de Estado, que querem negociar com o Irã e a Coréia do Norte e fazer concessões para chegar a um acordo.

O conflito entre os dois grupos surgiu pela "falta de uma estratégia clara sobre o que fazer", diz Joseph Cirincione, diretor do programa sobre a proliferação de armas de destruição em massa do Carnegie Endowment for International Peace, um instituto independente.

Em outubro, os Estados Unidos começaram a implementar um sistema antimísseis que está custando bilhões de dólares, que se destina especificamente a destruir projéteis de longo alcance lançados pela Coréia do Norte, embora a efetividade esteja em dúvida após vários testes fracassados.

Ao mesmo tempo, o governo usou mais rigor no discurso contra a Coréia do Norte. Bush chamou Kim Yong Il de "tirano" e "pessoa perigosa" há cerca de dez dias.

Além disso, premiou John Bolton com a candidatura à embaixada dos EUA na ONU. Como secretário adjunto do Departamento de Estado, Bolton provocou a ira de Yong Il ao dizer em Seul que o líder norte-coreano era um "ditador tirano" que tinha transformado a Coréia do Norte em "um pesadelo infernal".

Mas apesar das palavras duras, os Estados Unidos não têm muitas opções para lutar com Pyongyang.

Para Daniel Pinkston, especialista em Coréia do Norte do centro independente Conselho de Relações Exteriores, um ataque militar "está descartado e as sanções econômicas seriam muito limitadas".

Um bombardeio americano faria com que um milhão de soldados norte-coreanos cruzassem a fronteira com a Coréia do Sul e dessem início a uma nova guerra na península, segundo Robert Litwak.

A China é o país que pode concretizar um desabastecimento de alimentos e energia a Pyongyang, mas Pequim não quer impor sanções como essas por medo de desestabilizar o país, segundo Pinkston.

Já em relação ao Irã, alguns analistas americanos vêem opções militares e um alvo-chave seria suas instalações perto de Isfahan.

No entanto, os especialistas consultados pela EFE também acham que isso seria impossível.
"Não sabemos onde todas as instalações nucleares estão", disse Litwak, acrescentando que o ataque provocaria uma "reação v

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