O Congresso americano ratificou na última quinta-feira o acordo de livre comércio com o Chile, o primeiro assinado por Washington com um país sul-americano.
O tratado foi aprovado no Senado por 66 votos a 31. A Câmara de Representantes já havia aprovado a medida, na quinta-feira passada, por 270 votos a 156.
O presidente americano, George W. Bush, tem agora dez dias para firmar o acordo, que entrará em vigor em 1o de janeiro próximo se for ratificado pelo Congresso chileno.
O TLC elimina as tarifas sobre mais de 85% dos produtos industrializados, isenta dos direitos alfandegários quase 75% dos bens agrícolas até 2006 e prevê a eliminação gradual das tarifas restantes até 2014.
- Creio que os acordos de livre comércio serão bons para os mercados americanos, os negócios americanos e os trabalhadores americanos - disse o senador republicano John Cornyn (Texas) durante o longo debate sobre o tratado com o Chile.
Segundo Cornyn, a falta de um acordo comercial com o Chile custa aos exportadores americanos cerca de 800 milhões de dólares anuais em vendas, o que representa mais de 10 mil empregos.
Por outro lado, vários senadores, a maioria democratas, denunciaram que o tratado ampliará o déficit comercial e agravará o crescente desemprego nos Estados Unidos ao permitir a entrada de trabalhadores temporários chilenos no país.
O democrata Christopher Dodd (Connecticut) se disse 'extremamente preocupado' com os artigos sobre migração incluídos no texto pelo bureau do Representante Comercial americano (USTR), Bob Zoellick. O legislador afirmou que Zoellick 'abusou de sua autoridade'.
- Os acordos comerciais não são a maneira correta de se aprovar leis migratórias - disse a senadora democrata Dianne Feinstein (Califórnia).
O acordo permite o trabalho temporário de um certo número (cerca de 1400) de chilenos nos Estados Unidos com visto renovável a cada 12 meses, mas abre o acesso ilimitado ao Chile de trabalhadores qualificados americanos.
O republicano Jeff Sessions (Alabama) propôs, sem sucesso, uma espécie de voto de censura destacando que os TLC não são os veículos apropriados para aprovar leis relacionadas à migración ou modificar a atual política migratória.
EUA estabelece acordo de livre comércio com Chile
Quinta, 31 de Julho de 2003 às 22:38, por: CdB