Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

EUA embargam publicações científicas de Cuba

Sábado, 13 de Março de 2004 às 06:33, por: CdB

A Academia de Ciências de Cuba denunciou ontem, dia 11, perante a opinião pública nacional e internacional, uma nova agressão contra a Ilha, por parte da atual administração estadunidense. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, recentemente, proibiu a revisão, edição ou modificação de trabalhos de autores de países que sejam objeto de "embargo comercial", entre eles Cuba, nas publicações e revistas científicas estadunidenses. Aqueles que o fizerem, estarão transgredindo a Lei estadunidense e podem ser submetidos a multas e outras penas como prisão.

O presidente da Academia de Ciências, Ismael Clark, afirma que, desde o anúncio da medida, alguns editores estadunidenses têm recusado artigos apresentados por cientistas cubanos. A publicação dos resultados de uma investigação é o primeiro passo na socialização do conhecimento e um requisito indispensável para o saudável desenvolvimento da ciência. Somente com o livre fluxo de idéias e conhecimentos entre os cientistas e acadêmicos do mundo inteiro, a ciência pode crescer e avançar para o benefício de toda a humanidade. Em contraste a esse pensamento, a medida priva as comunidades cientificas estadunidense e mundial de compartilhar os reconhecidos avanços científicos de Cuba.

A Academia destaca, também, que a adoção dessa decisão por parte do Governo dos Estados Unidos viola não só o mais elementar direito dos cientistas em qualquer lugar do mundo, mas também a própria Constituição dos Estados Unidos da América. "Comparável à queima de livros, que foi uma prática comum nos regimes fascistas, esta absurda medida, expressão do recrudescimento do bloqueio estadunidense, é um reflexo do abuso do atual governo desse país, que não coloca limites no seu total desprezo pelos mais sagrados princípios do direito internacional", destaca a denúncia da Academia.

Proibição de viagens

Um grupo de 70 professores de medicina, médicos e cientistas estadunidenses criticaram a decisão do governo do presidente George W. Bush., de proibir-lhes de participar de um simpósio internacional em Cuba. Os cientistas explicaram que tal proibição lhes foi notificada a poucos dias do evento internacional, onde serão debatidos assuntos como a morte e o coma.

"O resultado final disso é a quebra da liberdade acadêmica, do nosso direito como cidadãos, de viajar e também prejudica à ciência nos Estados Unidos e em todo o mundo", destacou Stuart J.Youngner, professor da Universidade Case Western Reserve, que ajudou a organizar a conferência.

A medida estadunidense atenta contra a liberdade de expressão e ataca a essência da ciência, como patrimônio universal que não pode estar submetido a decisões políticas impostas por nenhum país.

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