Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

EUA e UE prometem que relações não serão alteradas pelo "não"

A União Européia (UE) manterá inalterada sua política externa e sua estreita relação com os Estados Unidos, apesar da rejeição da França e da Holanda ao projeto de Constituição do bloco, garantiu a "troika" européia nesta quinta-feira, em Washington. (Leia Mais)

Quinta, 02 de Junho de 2005 às 17:52, por: CdB

A União Européia (UE) manterá inalterada sua política externa e sua estreita relação com os Estados Unidos, apesar da rejeição da França e da Holanda ao projeto de Constituição do bloco, garantiu a "troika" européia nesta quinta-feira, em Washington.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, se reuniu em Washington com a "troika" européia, representada pelo ministro de Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn; a comissária de Assuntos Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, e o alto representante de Política Externa e Segurança Comum, Javier Solana.

Em princípio, a reunião tinha sido marcada para preparar a cúpula UE-EUA, que acontecerá no próximo dia 20, em Washington.

As derrotas consecutivas do projeto de Constituição em dois membros fundadores da UE transformaram a reunião em um fórum para que os governantes europeus enviassem uma mensagem de tranqüilidade, afirmando que nada mudou e que o bloco continua funcionando.
Essa foi a mensagem que todos repetiram várias vezes na entrevista coletiva conjunta após a reunião e o almoço de trabalho no Departamento de Estado americano.

Ambas as partes se esforçaram para ressaltar que a relação não será afetada pelo fracasso do projeto de Constituição, que de acordo com alguns ameaça colocar em risco todo o projeto de uma maior unificação européia.

Segundo Ferrero-Waldner, "certamente os votos na França e na Holanda representam derrotas importantes e sérias".

"Mas, ao mesmo tempo, continuamos trabalhando e nada nos impede de seguir adiante com esta importante tarefa", acrescentou.

Asselborn lembrou que o próximo plebiscito acontecerá no dia 10 de junho, em Luxemburgo, e mostrou-se seguro de que o país aprovará o projeto de Constituição.

Depois ainda haverá outras consultas populares. "A causa não está perdida", disse.

"Os países da UE e a instituição da UE têm a mesma determinação: continuar trabalhando para resolver os problemas com nossos amigos, em cooperação com os EUA", afirmou o espanhol Solana.

Alguns "disseram que estaremos muito absorvidos em nossa crise interna para seguir adiante com nossos objetivos exteriores. Prometo que esse não será o caso", garantiu a austríaca Ferrero-Waldner.

Como exemplo, a "troika" européia destacou a conferência internacional sobre o Iraque patrocinada pelos EUA e pela UE, que acontecerá no próximo dia 22, em Bruxelas, e foi anunciada na terça-feira passada.

Por sua vez, Rice afirmou que os Estados Unidos entendem que "foi um momento difícil e que haverá um certo período de reflexão".

No entanto, ressaltou, a Europa deve "continuar olhando para fora, não para dentro" nesse período de reflexão.

Isso "é extremamente importante para completar a integração da Europa e a unidade européia; o que certamente inclui a Turquia", afirmou Rice.

O governo dos EUA é um veemente defensor da entrada da Turquia na UE, uma perspectiva que conta com a oposição de boa parte das populações nos 25 países-membros e que aparentemente foi um dos fatores do "não" holandês.

De qualquer forma, "tenho certeza de que nossa aliança continuará sendo cada vez mais forte", disse Rice, ao citar entre as áreas de cooperação o Líbano, os esforços para conseguir um acordo entre israelenses e palestinos e as negociações da UE com Teerã para o fim do programa nuclear iraniano.

"Compartilhamos um amplo programa de objetivos e seguiremos nos aprofundando nele", declarou a secretária de Estado.

Na reunião ministerial de hoje, ambas as partes dedicaram grande atenção a esses assuntos e à conferência sobre o Iraque, além da situação no país árabe.

Os responsáveis pela política externa da UE e dos EUA também analisaram as relações comerciais e, segundo Ferrero-Waldner, como "permitir melhores oportunidades de investimento aos empresários".

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