Os Estados Unidos e a União Européia (UE) uniram forças nesta quarta-feira para angariar ajuda internacional para o Iraque em uma conferência que pressionará Bagdá a garantir participação da minoria sunita no futuro do país.
A maioria dos árabes sunitas, que são cerca de 20% dos 26 milhões de iraquianos, boicotou a eleição de 30 de janeiro e forma o núcleo da insurgência. Os xiitas e curdos dominam o governo de transição em Bagdá.
- Os iraquianos devem se unir para estender a mão um ao outro e lidar com os temas em que possam discordar - disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, em seu discurso de abertura da reunião que conta com participação de cerca de 80 países.
- Sem um processo de inclusão, é improvável que as iniciativas de segurança rendam resultados duradouros - disse Annan, refletindo a opinião de analistas políticos, para quem a maior participação dos sunitas no processo de tomada de decisões poderia ajudar a desmantelar a rebelião.
O painel liderado por xiitas encarregado de fazer uma proposta de Constituição para o Iraque até 15 de agosto concordou na semana passada em aumentar o número de sunitas no grupo. Ainda assim, autoridades dos EUA e da UE vão pressionar a lidereança iraquiana na conferência para que dê mais garantias à participação sunita.
- A comunidade internacional está dizendo aos iraquianos que eles devem ser o mais inclusivos possível, especialmente com a comunidade sunita - afirmou a repórteres na véspera da conferência a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice.
A conferência pretende dar uma demonstração de ajuda ao Iraque e ser uma plataforma para o primeiro-ministro do país, Ibrahim al-Jaafari, obter mais ajuda na reconstrução e nas reformas.
O comunicado final vai pedir aos principais credores do Iraque para que aliviem as dívidas do país, disse um diplomata da UE. Ele também prometerá apoio as esforços de Bagdá para integrar instituições como a Organização Mundial de Comércio (OMC).
O Iraque acumulou dívidas de 120 bilhões de dólares durante a era de Saddam Hussein, sendo a maior parte para financiar a guerra com o Irã, entre 1980 e 1988. Dezenas de bilhões de dólares já foram perdoados no ano passado.
O ministro das Finanças, Ali Allawi, disse nesta terça-feira que o governo vai reunir doadores em Amã no próximo mês para acelerar o repasse de bilhões de dólares prometidos em 2003 por países europeus e de outras partes do mundo.