Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

EUA e Rússia negam que conferência de paz da Síria esteja marcada

Um funcionário sírio disse que uma conferência de paz destinada a resolver a guerra civil do seu país foi marcada para os dias 23 e 24 de novembro, mas a Rússia e os Estados Unidos, que organizam conjuntamente o evento, negaram que a data tenha sido marcada.

Sexta, 18 de Outubro de 2013 às 07:36, por: CdB
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A conferência de paz foi proposta em maio pela Rússia
Um funcionário sírio disse que uma conferência de paz destinada a resolver a guerra civil do seu país foi marcada para os dias 23 e 24 de novembro, mas a Rússia e os Estados Unidos, que organizam conjuntamente o evento, negaram que a data tenha sido marcada. Uma porta-voz do enviado especial da ONU para a Síria, Lakhdar Brahimi, também colocou em dúvida a declaração do funcionário sírio. O vice-premiê sírio, Qadri Jamil, citou as datas durante uma entrevista coletiva em Moscou, mas posteriormente declarou à agência inglesa de notícias Reuters: – Isso é o que Ban Ki-moon (secretário-geral da ONU) está dizendo, não eu. Horas depois, Alexander Lukashevich, porta-voz da chancelaria russa, disse que "não devemos nos antecipar". "Não é assunto para as autoridades sírias, e sim responsabilidade do secretário-geral da ONU, anunciar e marcar datas acordadas por todas as partes". Os EUA adotaram o mesmo tom. "Discutimos datas potenciais, mas nada foi finalizado", disse Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado. "Nenhuma data é final até que seja marcada e anunciada pela ONU." Khawla Mattar, porta-voz de Brahimi, disse que não há expectativa de que a data seja anunciada antes do começo de novembro. Ela disse que um adjunto de Brahimi, Nasser al Kidwa, vai se reunir fora da Síria com representantes da oposição a Bashar al Assad para "discutir com eles sua disponibilidade para datas específicas em novembro". A conferência de paz foi proposta em maio pela Rússia, aliada do governo de Assad, e a iniciativa recebeu o aval dos EUA, cujo governo apoia os rebeldes sírios. Divergências sobre quem deveria participar e sob quais condições inviabilizaram a realização do encontro desde então, mas o acordo do mês passado para que Damasco entregue seu arsenal de armas químicas deu novo impulso aos preparativos da conferência de paz. A guerra civil na Síria começou em março de 2011 e já matou mais de 115 mil pessoas, segundo cálculos do Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo ligado à oposição que funciona na Grã-Bretanha. Jamil, o vice-premiê, disse que a conferência é necessária porque "todos estão num beco sem saída - um beco sem saída militar e político". - Genebra é a saída para todos: os americanos, a Rússia, o regime sírio e a oposição. Quem perceber isso irá se beneficiar. Quem não perceber vai ver que ficou de fora do processo político. Um dos principais entraves até agora à realização da conferência é a discordância a respeito da participação do Irã. Os EUA dizem que só aceitarão a presença iraniana em Genebra se a República Islâmica aceitar de antemão que um governo provisório deve ser instalado na Síria, o que exigiria que seu aliado Assad se afastasse do poder. Guerra pesada Enquanto aguardam uma janela de negociações, governo e insurgentes ampliam os combates na Síria. Na manhã desta sexta-feira, caças sírios bombardearam a cidade de Deir al-Zor, no leste do país, após violentos combates durante a noite e a morte de um dos chefes de inteligência do governo de Bashar al-Assad, segundo ativistas. O general Jama'a Jama'a foi morto na quinta-feira por franco-atiradores no meio de uma batalha contra rebeldes, entre os quais se incluíam forças da Al Qaeda, disse o Observatório Sírio de Direitos Humanos. A morte dele foi celebrada por rebeldes e por ativistas civis da oposição, por marcar um revés significativo na disputa por Deir al-Zor, capital da homônima província produtora de petróleo. Jama'a, de 59 anos, foi o chefe da inteligência militar síria no Líbano até 2005, quando Assad, sob intensa pressão internacional, retirou suas tropas do pequeno país vizinho. A retirada ocorreu após o assassinato do premiê libanês Rafik al-Hariri, um crime amplamente atribuído à Síria na época, e pelo qual o próprio Jama'a foi investigado, segundo o Observatório. Depois disso, Jama'a foi nomeado chefe da inteligência militar em Deir al-Zor, uma posição estratégica por causa do fluxo de militantes sunitas para o Iraque, onde enfrentavam as forças dos EUA e do governo xiita iraquiano. Em agosto de 2011, cinco meses depois do início da onda de protestos contra Assad, a União Europeia impôs sanções a Jama'a por sua participação na "repressão e violência contra a população civil". Ativistas dizem que dezenas de rebeldes e forças pró-Assad morreram nesta semana nos combates em torno de Deir al-Zor. O Observatório relatou confrontos em vários bairros da cidade durante a noite, e disse que rebeldes da Frente Nusra, ligada à Al Qaeda, executaram dez soldados capturados no bairro de Rashidiyah, onde Jama'a foi morto na quinta-feira. Embora os rebeldes tenham feito avanços e realizado um ataque contra um aeroporto militar da região, dificilmente eles conseguirão uma vitória rápida na estratégica região petroleira, que faz fronteira com o Iraque, segundo avaliação de Rami Abdulrahman, que integra o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha. Embora grande parte da província de Zeir al-Dor esteja sob controle dos rebeldes, algumas tribos permanecem leais a Assad, enquanto o controle da capital regional segue dividido entre rebeldes e legalistas.
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