Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

EUA e Rússia chegam a um acordo e evitam ataque à Síria

Sábado, 14 de Setembro de 2013 às 10:44, por: CdB
kerry-lavrov.jpg
Kerry cumprimenta Lavrov após o fechamento do acordo que encerrou a ameaça de uma intervenção militar imediata dos EUA na guerra síria
Os Estados Unidos e a Rússia firmaram acordo, neste sábado, sobre a proposta para eliminar o arsenal de armas químicas da Síria, evitando a possibilidade de qualquer ação militar norte-americana imediata contra o governo do presidente Bashar al-Assad. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, anunciaram o acordo após aproximadamente três horas de conversas em Genebra. Kerry disse que, sob o pacto, a Síria precisará submeter uma "lista abrangente" de seu estoque de armas químicas em uma semana. O secretário de Estado dos EUA disse em coletiva de imprensa com Lavrov que os inspetores da ONU deverão estar em território sírio até novembro. O objetivo, disse, é a completa destruição das armas químicas da Síria até a metade de 2014. Kerry afirmou que se a Síria não cumprir o acordo, que deverá ser finalizado pela Organização para a Prevenção de Armas Químicas, enfrentará as consequências sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, que prevê sanções e ação militar. Não houve acordo sobre quais medidas seriam tomadas. O presidente dos EUA, Barack Obama, se reservou o direito de usar força militar na Síria, disse Kerry. – Não houve redução de opções – declarou Kerry. – Nada foi dito sobre o uso da força ou quaisquer sanções automáticas – disse Lavrov. Obama ameaçou usar a força em resposta ao ataque químico de 21 de agosto na Síria, o qual as autoridades norte-americanas afirmam ter matado cerca de 1,4 mil pessoas. Os Estados Unidos culparam o governo de Assad pelo ataque, enquanto Rússia e Assad disseram que a ação foi promovida por forças rebeldes. Armas químicas Apesar do avanço diplomático, as armas químicas são responsáveis por apenas 2% das mortes na guerra civil síria, na qual mais de 100 mil pessoas morreram. Neste sábado, aviões de guerra sírios atacaram subúrbios dominados pelos rebeldes na capital Damasco, e as forças do governo entraram em confronto com rebeldes nas linhas de frente, afirmaram moradores. Os residentes e ativistas da oposição questionaram o acordo entre Rússia e EUA, afirmando que este não beneficiaria os cidadãos sírios. As últimas conversas levaram Obama a colocar em espera seus planos de ataques aéreos em resposta aos ataques químicos. Obama também foi poupado de ter de enfrentar uma votação no Congresso sobre a ação militar. Apoio Militar Rússia e Irã, anteriormente, já haviam concordado em compensar o desmantelamento do arsenal de armas químicas da Síria com uma completa atualização dos equipamentos de defesa do país árabe. "A Síria é para nós o que Israel e o petróleo significam para os EUA. Aquele que quiser destruir a Síria deverá saber que perderá o petróleo e o gás desta região", disse o Líder Supremo da Revolução Iraniana, Ali Kamenei ao sultão de Omã, Qabbus bin Said, em nota encaminhada na véspera. Em uma segunda mensagem, desta vez do presidente russo, Vladimir Putin, ao seu homólogo norte-americano, Barack Obama, ele afirmou que "para nós, a Síria representa o mesmo que Israel para vocês". Ambas as declarações deixam claro que tanto o Irã quanto a Rússia não abandonarão o governo do presidente Bashar Al Assad.
Tags:
Edições digital e impressa