Os Estados Unidos, a Rússia e a Organização das Nações Unidas estão tentando repatriar material nuclear espalhado pelo mundo a fim de mantê-lo longe das mãos de militantes que tentam obtê-lo para fabricar "bombas sujas" ou armas atômicas.
O secretário de Energia dos EUA, Spencer Abraham, forneceu detalhes sobre a iniciativa em um discurso proferido na quarta-feira diante de membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Washington reservou mais de 450 milhões de dólares para gastar com o plano, afirmou.
Segundo Abraham, a iniciativa abarca "a ameaça representada por todos os tipos de materiais nucleares e reflete as realidades do século 21, que ficaram tão claras em uma manhã de setembro, três anos atrás".
O chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, disse que o plano era um passo crucial rumo à redução da ameaça nuclear em face da recente descoberta de um mercado negro internacional responsável por fornecer tecnologia atômica para países como a Líbia, a Coréia do Norte e o Iraque.
"Vivemos em um mundo cada vez mais polarizado", afirmou ElBaradei. "Se juntarmos as coisas -- mundo polarizado, proliferação de tecnologia (nuclear), proliferação do terrorismo --, sabemos que teremos de ajustar, aumentar, fortalecer nossas defesas".
A iniciativa inclui um plano para repatriar até o final do ano todo o combustível de urânio enriquecido não utilizado vindo da Rússia e todo o combustível nuclear usado até 2010. O combustível usado pode servir para a extração de plutônio.
Uma autoridade da Agência de Energia Atômica da Rússia disse à Reuters haver 17 países com combustível russo de urânio enriquecido a ser repatriado.
"Desses países, 13 já concordaram em aderir a essa iniciativa e devolver o combustível", afirmou, sem identificá-los.
Abraham afirmou que os EUA concluiriam, dentro de uma década, a repatriação de todos os reatores nucleares de pesquisa feitos pelos norte-americanos.
O secretário também afirmou que os EUA converteriam os atuais reatores de urânio altamente enriquecido para reatores de urânio pouco enriquecido, não apenas no território norte-americano, mas em todo o mundo.