Rio de Janeiro, 05 de Abril de 2026

EUA e Japão firmam união contra Coréia do Norte

Segunda, 10 de Julho de 2006 às 06:25, por: CdB

Os Estados Unidos e o Japão reafirmaram, nesta segunda-feira, sua união perante a crise provocada pelo teste de mísseis por parte da Coréia do Norte, e pediram que a comunidade internacional condene a atitude do regime comunista, que, segundo Tóquio e Washington, ameaça a segurança na Ásia.

O enviado especial de Washington para a península coreana e secretário de Estado adjunto, Christopher Hill, reuniu-se com as autoridades japonesas na terceira etapa de sua atual viagem, na qual já passou por Seul e Pequim, e ainda irá a Moscou.

Hill tenta unificar as posturas das potências regionais na condenação ao lançamento dos sete mísseis, um deles de longo alcance, sobre o Mar do Japão, feito na quarta-feira passada pelo regime norte-coreano.

- Queremos deixar muito claro que todos falamos com uma só voz acerca desta ação provocadora da Coréia do Norte, ao lançar esses mísseis de todos os tipos e tamanhos - afirmou Hill após reunião com o ministro de Exteriores japonês, Taro Aso.

- É muito importante que todos os países se esforcem para enviar uma mensagem clara e unânime aos norte-coreanos, na qual destaque-se que este tipo de comportamento é inaceitável - disse Hill.

Pyongyang reagiu com a promessa de novos testes aos protestos contra o lançamento de mísseis, que violou a suspensão assinada pela própria Coréia do Norte em 1999, e ameaçou usar a força contra quem tentar impedir seu "direito soberano" de desenvolver foguetes balísticos.

O regime comunista referiu-se assim ao Japão, que apresentou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS) um projeto de resolução, respaldado pelos EUA, exigindo sanções econômicas contra a Coréia do Norte.

O CS deve analisar, nesta segunda, se essa proposta de resolução, mas parece difícil que China e Rússia apóiem as sanções.

O projeto de resolução condena o lançamento de mísseis e proíbe a transferência a Pyongyang de recursos financeiros, materiais e tecnológicos que possam ser usados para a fabricação de foguetes e armas de destruição em massa.

Falando sobre o papel da China nesta crise, Hill destacou o fato de a Coréia do Norte ter ignorado as recomendações de Pequim, seu tradicional aliado, em relação ao lançamento dos mísseis.

- Acredito que há algo muito importante que todo o mundo deveria lembrar: a China disse à Coréia do Norte de uma maneira muito explícita e muito clara 'não o faça'. E, apesar de tudo, (os norte-coreanos) seguiram adiante e o fizeram. Isso é um fato e tenho certeza de que os chineses pensaram muito sobre ele - afirmou Hill.

O representante americano reiterou a exigência de Washington de que Pyongyang retorne às conversas multilaterais com a Coréia do Sul, os EUA, o Japão, a Rússia e a China acerca de seu programa de armas nucleares, e acate a declaração conjunta assinada em Pequim, em setembro passado, na qual o próprio regime comunista se comprometia a desmantelar seu arsenal atômico.

Pouco antes da reunião entre Hill e Aso, o ministro de Exteriores japonês conversou por telefone com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Os dois reafirmaram o compromisso de seus países para continuar colaborando nesta crise, e instaram a comunidade internacional a lançar uma mensagem de união perante o regime norte-coreano.

As conversas de Hill em Tóquio coincidem com a missão enviada a Pyongyang pela China, liderada pelo vice-primeiro-ministro, Hui Liangyu, na qual Pequim expressará ao regime norte-coreano sua preocupação com a crise.

A delegação chinesa, que chegou a Pyongyang nesta segunda-feira, inclui o enviado especial chinês para assuntos nucleares com a Coréia do Norte, Wu Dawei.

Nas conversas que teve com Hill na semana passada em Pequim, Wu apresentou ao diplomata americano a possibilidade da realização de uma reunião informal dos seis países participantes das conversas multilaterais sobre o programa nuclear norte-coreano.

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