Milhares de pessoas estão detidas no Iraque sem processos, em aparente violação da lei internacional, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira, acrescentando que 6.000 dos 10.000 prisioneiros do país estão nas mãos de militares dos Estados Unidos.
No Iraque, "um dos maiores desafios dos direitos humanos continua sendo a detenção de milhares de pessoas sem processo", afirmou o secretário-geral, Kofi Annan, em um relatório ao Conselho de Segurança da entidade, que reúne 15 países.
De acordo com o Ministério da Justiça do Iraque, havia cerca de 10.000 prisioneiros em abril, "6.000 dos quais sob custódia da Força Multinacional" comandada pelos EUA, disse Annan.
- Apesar da libertação de alguns detidos, o número continua subindo. A detenção prolongada sem acesso a advogados e cortes é proibida sob a lei internacional, incluindo durante estados de emergência - alertou o relatório.
Uma resolução do Conselho de Segurança adotada um ano atrás encerrando a ocupação do Iraque liderada pelos EUA permitiu que militares norte-americanos mantivessem prisioneiros, mesmo depois da entrega de poder aos iraquianos, em junho de 2004 - o que é uma aparente contradição das convenções de Genebra.
Na época da transferência do poder, os EUA tinham mais de 8.000 prisioneiros "de segurança e criminosos", incluindo no famoso centro de detenção de Abu Ghraib, onde fotos tiradas por soldados norte-americanos documentaram abusos.
A Anistia Internacional citou no mês passado Abu Ghraib e o centro de detenção em Guantánamo (Cuba) como evidências de que Washington desrespeita o regime da lei e os direitos humanos. O presidente George W. Bush disse que a acusação é um "absurdo".