Na véspera de a Geórgia ocupar militarmente a região separatista da Ossétia do Sul, os EUA desaconselharam a iniciativa, revelou na quinta-feira o embaixador norte-americano na Otan.
A ação militar georgiana de 7 de agosto desencadeou uma violenta reação da Rússia, que agora ocupa o país vizinho.
Para o embaixador Kurt Volker, a Rússia estava só à espera de um pretexto para invadir a Geórgia.
- Os Estados Unidos consistentemente aconselharam a Geórgia, durante um longo período, que não havia uma solução militar [para a Ossétia do Sul] - afirmou o norte-americano a jornalistas.
- Inclusive na véspera de as tropas georgianas entrarem na Ossétia do Sul, nós dissemos: 'Não façam isso, não se envolvam em um conflito militar, não é do seu interesse - acrescentou o diplomata, em evento no Instituto de Assuntos Internacionais da Noruega.
A Ossétia do Sul, etnicamente distinta da Geórgia, goza de autonomia sob a proteção de Moscou desde uma guerra no começo da década passada, mas a comunidade internacional não reconhece sua independência.
Na opinião de Volker, o governo pró-ocidental da Geórgia se viu pressionado a agir em reação a várias sanções adotadas por Moscou e ao aumento da força de paz russa na Ossétia do Sul.
- É fácil ver a cuidadosa preparação e a pressão deliberada colocada sobre a Geórgia, à qual eles responderam de forma pouco inteligente - disse Volker.
Ele disse que é preciso enviar tropas internacionais à Geórgia porque a Rússia não tem mais credibilidade para realizar sozinha uma operação de paz no país.
A nova força, segundo ele, poderia ser fornecida pela ONU ou pela OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, da qual Geórgia, Rússia e EUA fazem parte).
- Precisamos de alguma forma de internacionalização da operação de paz, que tenha credibilidade quando se trata de manter o território, a integridade e a soberania da Geórgia - disse Volker.