Rio de Janeiro, 26 de Abril de 2026

EUA dizem que precisam 'trabalhar mais' com América Latina

Sexta, 13 de Janeiro de 2006 às 08:02, por: CdB

A principal autoridade dos Estados Unidos para a América Latina disse que o governo norte-americano precisa "trabalhar mais" com a região. Thomas Shannon, secretário-assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental, disse que os esforços para consolidar os regimes democráticos na América Latina precisam estar ligados a programas de desenvolvimento. A meta principal, segundo afirmou, é reduzir a pobreza na região.

- Isso significa que nós precisamos trabalhar mais, precisamos gastar mais tempo com o hemisfério. E nós, ao lado de outros, precisamos melhorar a forma como articulamos não apenas nossas metas, mas também os instrumentos usados para atingi-las - afirmou Shannon à Reuters.

O secretário-assistente deu essas declarações ao final de uma visita de três dias ao Brasil e à Argentina.

- Estamos testemunhando uma demanda por parte dos moradores (da América Latina) de que a democracia seja capaz de produzir resultados na área do desenvolvimento econômico -  acrescentou.

Shannon, um diplomata de carreira que assumiu o cargo no ano passado, vê-se diante de uma América Latina que realiza uma guinada para a esquerda em meio a uma onda de rejeição, pelos eleitores, das políticas liberalizantes patrocinadas pelos EUA nos anos 1990 e que foram incapazes de diminuir a pobreza. Pesquisas de opinião apontam para um alto índice de rejeição ao presidente norte-americano, George W. Bush, na região, e isso não apenas por suas políticas econômicas e comerciais, mas também pelo que se considera ser uma falta de interesse dele na América Latina.

Recentemente, os bolivianos elegeram como presidente o esquerdista Evo Morales, um líder indígena que toma posse no dia 22 de janeiro e que é aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o crítico mais ferrenho dos EUA na região. A Argentina, que sofreu sua pior crise em 2001-2002 após uma década de reformas econômicas, também elegeu um presidente esquerdista, Néstor Kirchner. Shannon encontrou-se com ele na quinta-feira e disse que as relações entre os dois países são "excelentes".

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