O enviado norte-americano George Mitchell disse nesta quinta-feira que a abertura da fronteira da Faixa de Gaza ajudaria a conter o contrabando de armas para o grupo islâmico Hamas.
Mas ele pediu ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, que ajude a fiscalizar a fronteira, apesar de ele não exercer autoridade sobre a localidade, que está desde 2007 sob controle do Hamas.
Evitar o contrabando de armas é uma das principais preocupações de Israel nas negociações mediadas pelo do Egito a fim de estabelecer um cessar-fogo de longo prazo em Gaza e arredores.
"Para que haja sucesso na prevenção ao tráfico de armas para Gaza, deve haver um mecanismo para permitir o fluxo de produtos legais, e isso deve ocorrer com a participação da Autoridade Palestina", disse Mitchell após encontro com Abbas, da facção laica Fatah, que conta com o apoio do Ocidente.
Disparos de foguetes do Hamas e bombardeios israelenses nos últimos dois dias ameaçam os esforços de Mitchell para consolidar a frágil trégua em vigor desde 18 de janeiro, após 22 dias de combates.
Militantes lançaram um foguete de Gaza contra Israel na noite de quarta-feira -- o primeiro desde o cessar-fogo do dia 18 - e outro na quinta-feira. Não houve feridos.
Em seguida, a aviação israelense bombardeou uma metalúrgica do sul da Faixa de Gaza, que segundo os militares servia para a fabricação de armas. Não houve feridos. Em outro ataque, dois militantes em uma moto e dez jovens transeuntes ficaram feridos, segundo fontes médicas.
Israel lançou os bombardeios, em 27 de dezembro, sob a justificativa de impedir o Hamas de disparar foguetes contra o seu território. O Hamas insiste que não pode haver trégua duradoura enquanto Israel mantiver o bloqueio econômico quase total contra a região.
A viagem de uma semana de Mitchell ao Oriente Médio é um dos primeiros sinais do compromisso do governo de Barack Obama em promover um processo de paz.
Falando à TV Al Aqsa, o líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, citou a promessa de Obama de promover mudanças depois dos oito anos do governo de George W. Bush.
"Estamos esperançosos de que haverá uma total revisão por parte do presidente e do seu governo a respeito do Oriente Médio, e especificamente do caso palestino", disse ele.
Já os líderes israelenses falam grosso a respeito das questões militares, pois isso agrada em cheio o eleitorado que irá às urnas no próximo dia 10.
Os candidatos prometeram uma reação dura à explosão que na terça-feira matou um soldado israelense na fronteira com Gaza, e aos foguetes subsequentes. Os militantes disseram que os foguetes foram uma retaliação pela morte de três palestinos desde o início da trégua.
Os 22 dias de ofensiva israelenses mataram 1.300 palestinos, sendo pelo menos 700 civis. Em Israel, foram 13 vítimas, sendo 3 civis.
Na quinta-feira, a ONU lançou um apelo por 613 milhões de dólares em doações emergenciais para fins humanitários e para a reconstrução de Gaza.